domingo, julho 19, 2009

Dynahead - Antigen

É tarefa altamente prazerosa comentar esse belíssimo debut dos brasilienses do Dynahead. Assim como em pouquíssimas obras, "Antigen" transmite instantaneamente sua magnitude e excelência ao ouvinte. Ouvinte privilegiado, diria. Não por menos: trata-se de uma rara junção de competência, maturidade musical, versatilidade, vigor e transparência. Dada a dimensão da sonoridade desse quinteto, seria uma enorme injustiça tentar enquadrá-los em algum estilo mais conveniente. Ocorre que a dinâmica das músicas em "Antigen" sufoca a necessidade de rotulação, dada a peculiaridade de cada uma delas. "Layers of Days" é o ponto forte do disco quando se trata da união entre peso e melodias contagiantes. Com a base construída a partir de riffs poderosos que se fazem sentir, adicionada à pegada altamente técnica e cheia de groove de Rafael Dantas, à boa encorpada do baixista Diego, lapidada por vocalizações muito bem trabalhadas, é sem dúvida uma música que se destaca. "Tactile Haven", por sua vez, é uma amostra do quão repleto de variações o grupo pode se mostrar. Entre os 3'10'' e os 4'30'' dessa faixa, tem-se um período bastante ilustrativo a esse respeito. Outra faceta a ser destacada é a suavidade de "Depart Now". Sobre o aspecto delicado da música, o vocalista Caio Duarte alerta: "essa música foi escrita para parecer uma música 'de amor', quando na verdade não é. Ela fala de uma despedida (...) dos elementos do nosso 'eu' dos quais temos que abrir mão no processo de nos ajustarmos à sociedade". Além de polifacético, o primeiro full length da banda é dotado ainda de um profissionalismo latente. Não obstante, é impecável o seu acabamento sonoro (mixado por James Murphy, por sinal), e sua arte gráfica, assinada pelo artista Gustavo Sazes. Álbum altamente recomendável e sem restrições, portanto.

Nota: 8/10
Selo: Independente
Data de lançamento: ??/??/??
Website: www.dynahead.com.br/ /
www.myspace.com/dynahead

Tracklist:
01. Clockwork I
02. Layers of Days
03. Virtual Twin
04. Tactile Haven
05. Join and Surrender
06. Bloodish Eyes
07. Depart Now
08. You Feel Cleansed?
09. Vorsicht!
10. The Starry Messenger

sábado, maio 23, 2009

Mindflow - Destructive Device

Um dos grandes expoentes do Prog Metal brasileiro, o Mindflow apresenta seu novo álbum "Destructive Device". Trata-se do terceiro full length da banda, cuja produção discográfica é completada por "Just the two of us... Me and Them" de 2004, e "Mind Over Body" de 2006. Apesar da carreira um tanto quanto recente, o grupo já vem colhendo respeitável retorno do público, inclusive no exterior. Apresentações bem-sucedidas no continente europeu, na América do Norte e Ásia, além de atestarem a excelência dos músicos expandem a boa base de admiradores conterrâneos. "Destructive Device" é, portanto, a continuação desse trabalho bem feito. Impecável em sua totalidade, e claramente concebido por meio de um projeto meticuloso, o novo disco da banda mostra resultados impressionantes. O perfeccionismo instrumental e vocálico é latente. Os créditos podem ir tanto para Rodrigo Hidalgo (guitarra); Ricardo Winandy (baixo); Rafael Pensado (bateria); Miguel Espada (teclado) e para o frontman Danilo Herbert, quanto para os produtores americanos Ben Grosse (produziu, gravou e mixou o disco) e Ted Jensen (a cargo da masterização). Arquitetado para ser extremamente coeso, o conceito que fundamenta o álbum estabelece várias ligações. Desde a arte gráfica, elaborada como um relatório do serviço secreto que investiga suspeitos de atividade "terrorista", que se conecta à temática lírica (essencialmente focada nos dilemas da humanidade), até a embalagem do próprio que se relaciona aos materiais multimídia disponibilizados pela banda na Internet. Músicas como "Breakthrough"; "Under An Alias"; "Destructive Device", entre outras, satisfarão os anseios dos admiradores de metal progressivo refinado. Álbum altamente recomendável, portanto.

Nota: 9/10
Selo: Unlock Your Mind Productions
Data de lançamento: ??/??/2008
Website: www.myspace.com/letyourmindflow /
www.mindflow.com.br/

Tracklist:
01. Destructive Device
02. Lethal
03. Breakthrough
04. Under An Alias
05. Inevitable Nightfall
06. Said&Done
07. Fragile State of Peace
08. Not Free Enough
09. Inapt World
10. Frist Things Frist
11. Shocking Deathbed Confession
12. The Screwdriver Effect

sábado, março 28, 2009

Warpath - Damnation (English Version)

The new sensation of the moment is called Warpath. This quartet from the United Kingdom has been causing a frisson not only in their homeland, but also in the rest of Europe, USA and other countries as well. The reason for such euphoria is easily explainable: the rescue of the roots of Thrash Metal. Provoking comments in its favor or opposed ones, all of them very heated, this trend does not pass unnoticed. Thus, Warpath, which is certainly not a mere follower of this trend, has been atracting a growing international visibility. Since the launch of their EP "Cataclysm", there was the suspect that this was not an ordinary band. The certainty of this fact came with its first album, "Damnation". Produced by the band, mixed by Orlando Villaseñor (Chimaira, Hate Eternal), mastered by guitarist James Murphy (Testament, Death) and released in independently way, the debut's quality is above average. The guitar work is simply impeccable, just listen to a sample in the track that has the same disc's name. It also must be said about the drumms of James, the perfectly audible bass of Joel, and the voice of Richard (which could have a most frequent presence). What you will hear are 32 minutes of pure old school Thrash Metal. Not for mere reasons, some of the various awards that the band has received from the specialized press, such as "Best Unsigned Band of 2008" by the Terrorizer magazine, are more than deserved. However, this leads to the following question: are we in fact facing a new monster of metal, or because the new generation of metal bands is full of crappy bands, Warpath is being disproportionately glorified? I hope the first option is true.

Average: 8/10
Label: Unsigned
Date of release: 03/??/2008
Website: www.myspace.com/warpathuk /
www.warpath-online.com/

Tracklist:
01. Damnation
02. Infernal
03. Hostile Takeover
04. Face To Face
05. Spitting Blood
06. Life Unworthy Of Life
07. W.M.D
08. Expendable Forces

Shrimp - Gonzo Fishing Trip (English Version)

Experimentalism within the Metal is no longer a new stuff, nor restricted practiced. Thus, the same autophagic tendency observed in other saturated genders (like Metalcore, and more recently represented by the so called Deathcore), applies to it, which means that only the most competent musicians achieve success. And the Californian quartet Shrimp happens to fit with this last selected group. Not for mere reasons, because the members are excellent musicians. The technical skill of all members provides them an impressive versatility. Thus, each of the five songs that comprise their debut EP "Gonzo Fishing Trip", are completely unique, but maintaining a certain standard stablished by the band (which may be difficult to understand, since standard is a concept apparently ignored by the group). On the other hand of what people might think when facing the hillarious and eccentric aspect of this work, that's about a serious record, very well recorded and produced, and with a great visual aspect (owner of an interesting artwork in digipack format). Dealling with an homogeneous quality album, the highlights to be made do not follow a hierarchy. They are, therefore, great passages such as the gummy chorous in "Manifest Democracy", the drummer Justin's solo in "The Lobstrosities" and the collective effort on the excellent "I'll Be Your Huckleberry". Putting in this way, the quartet was very successful in his debut, no doubt about it. And what is allready awesome can be even better: the first full-length is about to come.

Average: 8/10
Label: Originology
Date of release: 05/30/2008
Website: www.myspace.com/shrimptheband

Tracklist:
01. The Lobstrosities
02. Manifest Democracy
03. Loaded To The Gunwalls
04. Decomposed And Cannibalized
05. I'll Be Your Huckleberry

sexta-feira, março 13, 2009

Error - Stronger Than Hate

Certas vezes penso que os termos "underground" e "independente" me parecem inadequados à realidade de algumas bandas. O Error é um bom exemplo disso. Essa inadequação se deve ao fato de que hoje em dia não se trava mais aquela batalha épica para se ter uma estrutura minimamente convincente, como ocorria há anos atrás. Logicamente, por se tratar de música pesada no Brasil, permanecem ainda muitos percalços. Porém, como se pode notar em "Stronger Than Hate", álbum de estréia desse quarteto de Foz do Iguaçu (Paraná), há o rompimento da fácil associação que ocorria tempos atrás da palavra independência ao amadorismo musical. Ao contrário, a qualidade do material se adequa às características de uma produção profissional. O primeiro contato já deixa isso bem claro. O trabalho gráfico, a cargo da renomada empresa ArtSide, é bem concebido, funcional, agradável, e age como uma ponte, tendo as músicas na outra extremidade. A produção das mesmas tampouco deixou a desejar. Valorizou-se em primeiro plano os vocais rasgados de Ibrahim e a sucessão dos riffs cortantes de Cesar. Não querendo isso dizer que o acompanhamento de Bob (em levadas no bumbo duplo e nos frequentes breakdowns) e a encorpada adicional ao peso dada por Alex (substituído por Rodrigo) são desnecessários. É mera questão de evidência. Ocorre que à exceção de "Instinct", a obra sofre de um leve mal - pouca diversidade nas músicas. O que por outro lado, tem o seu lado positivo: admiradores da sonoridade Metalcore/Thrash Metal linear não irão reclamar. Se toda as bandas underground e/ou independentes, por assim dizer, fossem do nível do Error, me daria por satisfeito eternamente.

Nota: 7/10
Selo: Independente
Data de lançamento: 15/11/2008
Website: www.myspace.com/errorofficial /

Tracklist:
01. 1010011010
02. Dark Ways
03. Impact
04. Going Down
05. You Are The Next
06. Instinct
07. Enemies
08. Burn
09. Keep Out
10. Sick Mind
11. Lethal Dosage

Warpath - Damnation

A nova sensação do momento atende pelo nome Warpath. Esse quarteto do Reino Unido vem causando um certo frisson não somente em sua terra natal, mas também no restante da Europa, nos EUA, e em demais países. O motivo de tanta euforia é facilmente explicável: o resgate às raízes do Thrash Metal. Provocando comentários a favor ou contrários, igualmente acalorados, essa nova tendência não passa despercebida. Portanto, o Warpath, que não é de modo algum seguidor oportunista dessa tendência, vem recebendo crescente visibilidade internacional. Desde o lançamento de seu EP "Cataclysm" já se suspeitava que essa não era uma banda qualquer. A confirmação veio com seu primeiro álbum, "Damnation". Produzido pela própria banda, mixado por Orlando Villaseñor (Chimaira, Hate Eternal), masterizado pelo guitarrista James Murphy (Testament, Death) e lançado de forma independente, o debut é de uma qualidade acima da média. O guitar work é simplesmente impecável, apenas ouçam uma amostra na faixa homônima do disco. O mesmo há de se afirmar da bateria de James e do perfeitamente audível contra-baixo de Joel. Os vocais de Richard, no entanto, poderiam ser mais presentes. O que se ouve do disco, são 32 minutos do mais puro Thrash Metal old school. Não por menos, alguns dos vários prêmios que a banda já recebeu da crítica especializada, como o de "Melhor Banda Independente de 2008" pela revista Terrorizer, são mais do que merecidos. Contudo, isso leva a seguinte indagação: será que estamos de fato diante de um novo fenômeno, ou então pelo fato de a nova safra do metal estar repleta de bandas sofríveis, o Warpath esteja sendo desmedidamente glorificado? Espero que a primeira opção seja verdade.

Nota: 8/10
Selo: Independente
Data de lançamento: ??/03/2008
Website: www.myspace.com/warpathuk /
www.warpath-online.com/

Tracklist:
01. Damnation
02. Infernal
03. Hostile Takeover
04. Face To Face
05. Spitting Blood
06. Life Unworthy Of Life
07. W.M.D
08. Expendable Forces

quinta-feira, março 12, 2009

Shrimp - Gonzo Fishing Trip

O experimentalismo dentro do Metal já não é mais nenhuma novidade, tampouco restritamente praticado. Desse modo, a fazer valer a mesma tendência autofágica de outros gêneros já saturados (como o Metalcore, e mais recentemente o Deathcore), apenas os músicos mais competentes obtêm sucesso. E o quarteto californiano Shrimp acaba se enquadrando nesse seleto último grupo. Não por menos, pois os músicos são excelentes. A destreza técnica de todos os integrantes lhes permite uma versatilidade impressionante. Assim, cada uma das cinco músicas que compõem seu EP de estréia, o "Gonzo Fishing Trip", são completamente distintas umas das outras, porém, preservando um certo padrão estabelecido pela banda (o que pode ser difícil de se perceber, uma vez que padrão seja um conceito aparentemente ignorado pelo grupo). Ao contrário do que se possa pensar ao se deparar com o ar debochado e excêntrico da obra, trata-se de um trabalho sério, muito bem gravado e produzido, e de ótimo acabamento (contendo uma interessante arte gráfica do álbum, em formato digipack). Por se tratar de um álbum de qualidade homogênea, os destaques a serem feitos não seguem uma hierarquia. Ressalta-se, portanto, boas passagens como: o refrão grudento em "Manifest Democracy"; o solo do baterista Justin em "The Lobstrosities"; e o esforço coletivo na excelente "I'll Be Your Huckleberry". O quarteto sagrou-se muito bem sucedido em sua estréia, portanto. E o que é bom pode ser ainda melhor: o primeiro full-length já está por vir.

Nota: 8/10
Selo: Originology
Data de lançamento: 30/05/2008
Website: www.myspace.com/shrimptheband

Tracklist:
01. The Lobstrosities
02. Manifest Democracy
03. Loaded To The Gunwalls
04. Decomposed And Cannibalized
05. I'll Be Your Huckleberry

D.E.R. - Quando a Esperança Desaba

A proveniência da banda condiz com o estilo que praticam. Vindos da "extrema zona sul" da capital paulista, os quatro integrantes do D.E.R. são partidários de uma sonoridade igualmente extrema, o grindcore. "Quando a esperança desaba", o primeiro full-length da banda, é um interessante trabalho de resgate a uma sonoridade clássica do gênero. A começar pela duração das faixas, sendo que a mais longa atinge 1'17", nota-se que esse quarteto não se rendeu às novas tendências. E por qual motivo haveriam de o fazer, se a forma mais crua e direta do estilo lhes é muito mais verdadeira? A britadeira caótica faz mais jus à vida que levam. A vida de quem sente a cada dia o pesado fardo de viver em um mundo de exploração, desencanto, ódio, e desesperança. E essa temática chega a seus ouvidos sem refresco: aos berros guturais de Thiago Nascimento; pela guitarra distorcida de Renato; pela velocidade do baixo de Henrique; e pelos incansáveis blast-beats do ótimo baterista Barata. No aspecto geral das músicas, a variação entre elas é mínima. Porém, dá brechas a alguns destaques: a vigorosa "Empregando o Capital" (cujo videoclipe, dirigido por Pierre Kerchove, do Ruina, vem incluso no disco); e o virtuosismo de Barata logo na abertura do disco em "O Que Foi Escrito Eu Apaguei". Acertaram ainda no aspecto gráfico sujo do álbum, e no auxílio na divulgação pelo selo Karasu Killer, com sede no Japão (o que explica as traduções das letras para o japonês). Uma boa sugestão aos fãs de Napalm Death e afins.

Nota: 7/10
Selo: Fuck It All; Cospe Fogo Gravações; Peculio Discos; Karasu Killer
Data de lançamento: ??/??/2008
Website: www.myspace.com/derpunk

Tracklist:
01. O Que Foi Escrito Eu Apaguei
02. Ódio Ao Prazer
03. Seu Herói Sangra
04. A Queda do Seu Dogma
05. Dois Pontos Uma Solução
06. Degrau Para o Desconhecido
07. Vaga Lembrança
08. Raiva e Vingança
09. Empregando o Capital
10. Quando a Esperança Desaba
11. Lucro e Troca
12. O Puro Aroma Do Medo
13. Eu Decido Quem Vai Morrer
14. Assim Como a Vontade de Justiça Social
15. Capítulos Que Descarto
16. A Vitória e o Fim

segunda-feira, março 09, 2009

Ruina - Ruina

Recoberto pela áurea sombria e cabisbaixa do Black Metal, o álbum de estréia do Ruina, homônimo dessa banda divida entre São Paulo e Curitiba, faz o tipo do disco que parece despretensioso de início, mas que vai tomando corpo e envolvendo conforme a audição. Portanto, não se atenha à simples etiqueta acima, pois o registro vai além disso, flertando com uma gama de outros estilos. A diversidade extrapola o gênero musical, se devendo também ao peculiar fato de o disco ser bilíngue. Há letras em português e em francês. Tinha tudo para soar bizarro, portanto, mas não é o que ocorre. Os vocais de Pierre, auxiliado por Gustavo e Marco, estão bem encaixados na proposta das músicas. O instrumental não fica atrás. O contrabaixo é notável e bem construído; Thiago usualmente compõe linhas simples de bateria, mas mostra que sabe incrementar complexidade quando o momento exige; Marco é um ponto-chave do enredo da banda, cabendo a ele a tarefa de "dar cor" à música. Sua competência se comprova na inesquecível faixa "Olhos Vendados". A "choradeira" de sua guitarra é também marcante em "Instrumental II". A arte gráfica do álbum é ainda outro destaque. Elaborando um paralelo com a sonoridade, há diversas figuras bem feitas que exploram o tracejado, beirando o rabisco. A gravação segue o mesmo princípio: valorizou o simples, com eficiência. "Ruina" é pura espontaneidade, sinceridade e coerência. Um disco ímpar, que mesmo tendo dispensando ambições faraônicas, consegue agradar a seu modo.

Nota: 7/10
Selo: Cospe Fogo Gravações; Karasu Killer
Data de lançamento: ??/??/2008
Website: www.myspace.com/ruina

Tracklist:
01. Lustrum
02. Le Temps, Le Sang...
03. Olhos Vendados
04. Sans Retour
05. Mais Uma Vez
06. Instrumental I
07. Noyé Dans L'Amer
08. Le Noir, L'Espoir
09. Instrumental II
10. Ruanda

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Nirvana - Nevermind

O Nirvana é (pois nunca deixou de ser), um dos maiores ícones do Rock moderno. Goste você ou não da banda, deve reconhecer isso. Fato é que ao redor do mundo é raríssimo se deparar com uma alma viva que nunca tenha sequer ouvido falar desse trio, transformado em quarteto em seus últimos dias de existência. Tamanho sucesso, astronômico por assim dizer, se deveu ao disco, que segundo alguns, mudou os rumos da música à época: "Nevermind". Alguns podem até alegar que este não é o melhor disco, que "In Utero" é superior e blá blá blá... Mas, convenhamos, Nirvana, da forma como conhecemos hoje, só o é por conta desse álbum. E lá se vão 17 longos anos desde o seu lançamento, mas no entanto, esta pérola não parece ter envelhecido, ao contrário - está cada vez mais viva. Clássicos legítimos resistem à prova do tempo. E esse mesmo tempo provou que uma geração inteira, que cresceu apreciando o disco, nunca mais vai esquecê-lo. Quer ver um teste? Atire a primeira pedra quem, em seus primeiros passos no violão (ou guitarra), nunca dedilhou "Come as You Are"?! Clássicos legítimos são também álbuns completos, perfeitos. O que dizer então de um tracklist que consiga reunir nada menos do que: "Smells Like Teen Spirit"; "Polly"; "Lithium"; "In Bloom"; "Territorial Pissings"; e "Something In The Way", além é claro do grande sucesso didático acima citado? Não apenas isso: as demais faixas são igualmente sensacionais, apenas não tiveram a mesma repercussão. Em pensar que nem a gravadora, tampouco a banda esperavam muito do disco! Clássicos legítimos são ainda marcos iconográficos. Alguma outra capa de cd lhe é tão marcante quanto o bebê na piscina com uma nota de dólar à sua frente? Entretanto, tal clássico legítimo cobrou o seu preço pouco tempo depois: Kurt Cobain. Que seus órfãos continuem a chorar oceanos de lágrimas, mas ainda sustento: teve o seu fim no momento certo, no seu auge. Nada mais coerente com seu estilo de vida romântico, pois com a mesma rapidez em que surgiu aos olhos do mundo, se foi. Assim como os grandes gênios das artes.