Bandas como o Hostile Inc., de Fortaleza, convencem-me cada vez mais de que competência é uma qualidade independente de proveniência. Oriundos de uma cidade, que apesar de ser um dos grandes centros de sua região, não tem muita tradição na cena Metal brasileira, este sexteto cearense surpreende. A própria existência da banda desde os idos de 1996, já é por si só um indicativo forte de que não se trata aqui de uma banda qualquer. Praticantes de um Death Metal repleto de melodias e harmonias bem trabalhadas, o grupo apresenta "Qiyamat", seu álbum de estréia. O debut em questão é uma obra grandiosa, enaltecida por sua versatilidade, comprovável em "In Vitro". A sexta faixa do álbum se caracteriza por seu andamento muito similar ao de "Mass Hypnosis" (Sepultura) e mesclado ao famoso triângulo do forró (uma prova de que o metal brasileiro não ignora a pluralidade de sons existentes no país). Por trás de tudo isso, estão: o uso constante de teclados por Nathiel Souza, o que acaba conferindo uma beleza fúnebre às composições; a dupla de guitarristas Yuri e Franzé (recentemente substituído por Júnior Maia), que cria os alicerces de toda a música do grupo; a precisão e velocidade das batidas de Saulo Oliveira; e também o acabamento final do baixo de Adriano Abreu. Mac Coelho (um dos fundadores da banda) fecha o conjunto revelando-se um exímio vocalista. Seu virtuosismo é tamanho que pode-se comparar sua técnica vocal à de Daniel Filth sem muita margem para exagero. Por A + B o Hostile Incorporation prova que "Qiyamat" é item obrigatório para admiradores de música bem feita.Nota: 8/10
Selo: Independente
Data de lançamento: 05/05/08
Website: www.hostileinc.net/ /
www.myspace.com/hostileincband
Tracklist:
01. Alea Jacta Est
02. Mechanical Man
03. The Universe Outside
04. Superfluous Existence
05. Fast Motion
06. In Vitro
07. The Final Judgement
08. Sheep and Wolves
A nova empreitada de Michel Gambini (Retturn) e Dom Mura (With Pride) atende pelo nome de Seita. Agregaram-se também a esse projeto: André Sparta (baixo); e Edson Munhoz (guitarra). Mesmo vivendo na Holanda já há alguns anos, este quarteto não se esqueceu do background vivido no Brasil. A dura realidade experimentada na pele em águas passadas é o combustível que alimenta toda a energia e brutalidade em "Imprint Forever", o EP de estréia da banda. Misturando elementos de Death Metal e Hardcore, com leves pitadas de Grindcore, o grupo mostra a personalidade que lhe é bastante peculiar: mescla de domínio técnico com originalidade nas composições. Paralelos podem ser traçados, mas não é fácil chegar a um acordo sobre o gênero em que se enquadram, muito em parte por experimentarem várias ambientações. "Dethrone The King" é um bom exemplo: inicia-se com um andamento cadenciado e, de repente, evolui para um turbilhão de notas sequenciais, para depois, assim como surgiu, desaparecer. Michel Gambini apresenta interessantes técnicas vocais, que mesmo trabalhosas, não soam forçosas em momento algum. Sua guitarra é sincronicamente complementada pela de Edson. André Sparta insere vigorosas linhas de contrabaixo, o que acaba conferindo mais peso e concretude ao som. Dom Mura atesta sua competência e experiência mantendo-se equilibrado a todo instante: sabendo imprimir impacto e rapidez nos momentos oportunos. O ápice desta atividade coletiva, é sem dúvida, a faixa homônima do disco. Os méritos do trabalho são ainda mais consideráveis quando se observa que trata-se de uma produção caseira e independente."Imprint Forever" é uma estréia triunfal, portanto. Há de se esperar muito destes rapazes, que com comprometimento e seriedade, certamente fazer-se-ão grandes. .jpg)
Os belo horizontinos do Lost Insight acabaram de lançar seu 1º EP intitulado "A Life Between Two Worlds". Nele despejam muito peso e maturidade musical em uma sonoridade ímpar, que agrega o metalcore e o hardcore. São, ao todo, 7 músicas que ao longo de 26 minutos, convidam o ouvinte a fazer uma viagem interior, uma verdadeira introspecção (artigo de luxo para o homem perpetuamente atribulado da contemporaneidade). Percorra a floresta sombria que há dentro de nossas faculdades mentais, quebre o conceito de vida milimetricamente regrada do cidadão exemplar, pois a dualidade é um fato inerente à existência humana. A ilustração da capa é uma perfeita alusão ao quão manipuláveis podemos ser, principalmente quando falta esse auto-conhecimento tão necessário. Será introduzido a esse universo por meio de 5 jovens músicos. Wallison Guedes é implacável em seus vocais enérgicos; Thiago Lannes e Ivan Jr. fazem um trabalho ímpar, demonstrando boa técnica na construção de riffs precisos; Shuanz é crucial ao estabelecer-se como elo entre as guitarras e a cadência rítmica de Rafael Coffee, que apesar de atropelar algumas notas aqui e ali, tem boa visão de conjunto e emplaca diversos grooves envolventes. O trabalho do grupo leva a marca de André Marcio, baterista da também mineira Eminence. Em linhas gerais, o tracklist apresenta-se homogêneo, sem muitas disparidades. A exceção é "We Don't Like This", a primeira gravação da banda, e a responsável pela seleção do Lost Insight entre as bandas componentes do Vans Zona Punk Tour. Um registro que vale tanto pelo som, quanto pela temática proposta. Resta apenas reforçar a sugestão dada pelos próprios: "ouça no volume máximo". 
A flor de Lótus. Fazendo uma breve pesquisa, descobrimos algumas curiosidades a seu respeito: venerada na cultura oriental, a flor é intimamente ligada à espiritualidade, uma vez que a forma como desabrocha (em meio à lama e com pouca água) é relacionada metaforicamente à superação de obstáculos na vida. Lindo, mas o que isso tem a ver com a Cyius? Tudo! Carregando no peito cicatrizes dificílimas de serem sanadas (a morte de dois entes queridos num curto período), os integrantes dessa banda petropolitana demonstraram sábia grandeza ao levantarem a cabeça e seguirem adiante. O resultado dessa superação é "Onde Quer Que Esteja". Por motivos óbvios, o disco é embebido de uma carga emocional vívida e comovente. Assim, o degustador da obra provalvemente vivenciará a rara experiência de sentir arrepios nos braços ao som de "Lótus". A emotividade aqui presente não é tudo: a pluralidade sonora é outro ponto forte. Se por um lado temos "Brisa", que se inicia com uma maravilhosa pitada de bossa nova, por outro lado eis "Cegueira", marcada por distorções cheias e pelos vocais dilacerados de Bruno, da também serrana Itsari. Tecnicamente, o grupo é milimetricamente coeso e harmônico. A cozinha de "Amnésia" é prova da competência desses músicos. Não foi por mero acaso, portanto, que o disco rendeu à banda o prêmio London Burning de música independente na categoria melhor álbum de rock de 2007. Felizmente, o merecido reconhecimento veio à altura de um trabalho que transcende o rock experimental e/ou alternativo, ocupando um patamar acima deste conceito.
SEVERA, gravem esse nome! Isso é Hardcore cunhado sob os moldes da pesada realidade do terceiro mundo. Oriundos de Contagem (Minas Gerais), e com cerca de um ano de existência, o Severa lançou no mês de abril seu primeiro registro - um EP homônimo da banda. Imediatamente após o contato com a faixa inicial ("Perder Para Ganhar"), notamos a personalidade forte e original das composições do grupo. O modo com que alternam os momentos de alta e baixa intensidade, retém a atenção do ouvinte do primeiro ao último segundo da audição e a presença constante de riffs encorpados utilizados em sintonia com breakdowns, cria um dinamismo primoroso no conjunto da obra. As letras conseguem propagar facilmente valores como honestidade e perseverança por estarem escritas em português, e pelo fato de serem inteligíveis. O mérito do alcance desses pontos positivos está na competência de Cidin (bateria), Juninho (baixo), Willian (guitarra), Filipe (guitarra) e Daniel (vocal), por igual. Alguns destaques adicionais merecem ser feitos: as faixas "Minha Guerra" e "Falsas Ilusões"; e o bom trabalho na arte gráfica do álbum. Com efeito, o registro (composto por cinco músicas) é de alto nível - feito admirável em se tratando de um debut de uma banda. Nesse sentido, é importante que os integrantes tenham em mente a necessidade de evolução constante e progressiva do trabalho que realizam. Toda a sorte do mundo ao Severa, essa nova promessa do cenário independente brasileiro.