segunda-feira, fevereiro 18, 2008

The Mars Volta - The Bedlam In Goliath

A criatividade humana representada nas expressões artísticas pode se apresentar de forma tão complexa, abstrata e expansiva, ao ponto de o seu entendimento ficar prejudicado. Tal fato é latente em "The Bedlam In Goliath". Não se deve pressupor, no entanto, que essa característica desse álbum ímpar venha surpreender a grande maioria dos fãs (ou mesmo curiosos) dessa banda que vem se superando a cada nova obra (importante que se frise o sentido literal da palavra), o The Mars Volta. É sempre interessante acompanhar a trajetória musical de um grupo e analisar suas mutações e evoluções musicais ao longo do tempo, e com o T.M.V. não haveria de ser diferente. Vai além inclusive - é uma experiência única. O embrião (Cedric e Omar Rodríguez) que deu origem a esse colosso, progredia lentamente ainda dentro do At the Drive-In, e era responsável pelas experimentações introduzidas dentro da sonoridade deste ícone do post-hardcore. A prolífica mente do vocalista e do guitarrista em questão, tornou as ambições da dupla "grandes" demais para o espaço a eles concedido. Eis que, enfim surge o The Mars Volta, e o terreno propício para se pôr em prática a avalanche de idéias que estes dois homens ocasionam está garantido. "De-Loused in the Comatorium" de 2003, estava ainda um tanto arraigado ao rock agitado outrora executado pela dupla (embora soe absolutamente distante de "Relationship of Command") e relativamente aos álbuns que se seguiriam, pouco experimental. Dois anos mais tarde, "Frances the Mute" mostrava um excesso de sons, ruídos e estranhesas do tipo, carregando um clima fúnebre em virtude da morte de um amigo e participante da banda. Já "Amputechture", um álbum desconceitual, portanto fato atípico do grupo, passou desapercebido. O lançamento de 2008, por sua vez, é uma espécie de apanhado geral do que foi criado e ao mesmo tempo, único. Nascido de um presente excêntrico, e diga-se de passagem amaldiçoado (provável causador de inúmeros incidentes, sem explicação, envolvendo integrantes da banda ) dado por Omar a Cedric, o álbum gira em torno de uma intrincada trama encabeçada por Goliath (a alma de um santo sedento por retornar ao mundo real que era evocada através do presente). A densidade conceitual, obviamente, evidencia-se nas composições. Mesmo que nesse disco uma única faixa seja por vezes três (músicas) em uma, os destaques ficaram por conta de "Aberinkula", "Goliath" e "Ouroboros". Outro ponto sobressalente no disco, é a participação do guitarrista John Frusciante (Red Hot Chili Peppers). Apesar de toda a sua magnitude e impecável originalidade, "The Bedlam In Goliath" peca no aspecto do entretenimento. A primeira metade do disco é fantástica, entretanto, a complexidade e a difícil absorção desse mundo lunático, torna os 76 minutos do disco quase imprazerosos de serem ouvidos ininterruptamente. É o típico álbum que acaba sendo consultado esporadicamente. Excelente todavia, mas com esse porém. Enquanto isso...alguém sabe do paradeiro do Sparta?

Nota: 8/10
Selo: Universal, Gold Standard Laboratories
Data de lançamento: 29/01/2008
Website: www.themarsvolta.com/ /
www.myspace.com/themarsvolta

Tracklist:
1. Aberinkula
2. Metatron
3. Ilyena
4. Wax Simulacra
5. Goliath
6. Tourniquet Man
7. Cavalettas
8. Agadez
9. Askepios
10. Ouroboros
11. Soothsayer
12. Conjugal Burns

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Cavalera Conspiracy - Inflikted

Há longínquos 12 anos atrás, ocorreu a fatídica (trágica para alguns) saída de Max Cavalera do ícone máximo do metal brasileiro, o Sepultura. Desde então, fãs da banda sonhavam com o dia em que os irmãos Cavalera voltariam a dividir o palco mundo afora. Contudo, após o anúncio da saída de Igor Cavalera do Sepultura em 2006, o sonho começou a se concretizar. Durante um certo período que se seguiu da decisão, Igor realizou algumas experiências musicais até finalmente abraçar a idéia de voltar a tocar com seu irmão. Enfim...juntos! O nome dessa tão sonhada reunião se chama: Cavalera Conspiracy. São também articuladores dessa conspiração o guitarrista Marc Rizzo (Soulfly e ex-ill Niño) e o francês Joe Duplantier (Gojira) no baixo. Já as participações especiais do disco ficaram por conta do baixista Rex Brown (ex-Pantera e atualmente no Down) e do enteado de Max e Igor - Richie Cavalera (Incite) nos vocais. A álbum foi produzido por Logan Mader (ex-guitarrista do Soulfly e Machine Head). É impossível não notar traços muito fortes do Soufly nas músicas de "Inflikted" (apenas observem a quantidade de citações, nesse texto, ao nome da banda), o que acaba por prejudicar o brilho do disco, a começar pela faixa inicial que é iniciada com um típico zumbido souflyano! Em algumas passagens, contudo, principalmente na excelente "Sanctuary", o ouvinte pode matar a saudade do death/thrash metal que os irmãos já fizeram nos idos de 80 e 90. A afirmação de Max em dizer que o registro é similar ao antigo Sepultura é, na minha opinião, um pouco fantasiosa. "Inflikted" é sem dúvida um bom álbum, mas é carregado do que chamam de groove metal, e portanto diametralmente distante de "Arise" ou "Chaos A.D.". O Cavalera Conspiracy saiu-se bem na sua estréia apesar de tudo, mas tem potencial para ir bem mais longe.

Nota: 8/10
Selo: Roadrunner
Data de lançamento: 25/03/2008
Website: www.cavaleraconspiracy.com/ /
www.myspace.com/cavaleraconspiracy

Tracklist:
1. Inflikted
2. Sanctuary
3. Terrorize
4. Dark Ark
5. Ultra-Violent
6. Hex
7. The Doom Of All Fires
8. Bloodbrawl
9. Nevertrust
10. Hearts of Darkness
11. Must Kill

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Raging Speedhorn - Before The Sea Was Built

Viver é o constante ofício de se deparar com o novo, o desconhecido. Portanto foi com naturalidade que encarei a incumbência de comentar "Before The Sea Was Built", a quarta bolachinha do até então inédito para mim Raging Speedhorn. Enquanto fazia as minhas pesquisas, fiquei surpreso ao saber que o RS não somente é uma banda com um certo tempo de estrada, mas como também é considerada uma das bandas de maior representatividade na cena britânica atual. Inclusive foi o próprio Raging Speedhorn que, em uma dada época, "salvou" esta mesma cena de um eminente colapso. Daí surge a pergunta: "Mas então como é que não os conheci antes?". A resposta me veio alguns minutos depois de iniciada a audição do disco. À certa altura, tive a impressão de que o álbum inteiro fora confeccionado através de uma única fórmula: guitarras com riffs metálicos alternados em graves e agudos; os dois vocalistas se revezando em berros por vezes sofridos, outrora raivosos; um som estridente dos pratos do batera Gordon Morison sendo atacados ininterruptamente; breakdowns constantes; a ambientação saindo do Hardcore e dando uma passadinha pelo Sludge; e por aí vai). Não que esta seja uma fórmula falida, é inclusive interessante, porém é ao mesmo tempo muito arriscada - uma vez que para funcionar, deve ser trabalhada minunciosamente ao ponto de não deixar esse volume todo de energia tornar-se repetitivo, e sobretudo, desimpactante. E cometer esse pecado é, na minha opinião, fazer cair por terra todo o esforço de composição das músicas. Creio que o objetivo central de qualquer tipo de sonoridade agressiva é causar um impacto (de preferência forte), investir contra a serenidade e os sentidos do ouvinte. Portanto, se a audição de um disco vai se tornando saturada e monótona, significa dizer que o trabalho de construção das músicas falhou em algum aspecto. A chegada dos dois novos membros ao grupo poderia ter sido melhor aproveitada neste registro. Mas...nem tudo são espinhos. Há sim algumas faixas interessantes como "Dignity Stripper" e "Too Drunk To Give A Fuck" e "Jump Ship". É provável que na hipótese de uma nova crise, o Raging Speedhorn não consiga repetir o ato heroico que certa vez realizou. Talvez agora não consiga sequer salvar a si mesmo.

Nota: 6/10
Selo: SPV Records
Data de lançamento: 10/09/2007
Website: http://www.ragingspeedhorn.co.uk/
www.myspace.com/ragingspeedhorn

Tracklist:
01. Everything Changes
02. Before The Sea Was Built
03. Dignity Stripper
04. Mishima
05. The Last Comet From Nothingness
06. Born To Twist The Knife
07. Who Will Guard The Guards
08. Too Drunk To Give A Fuck
09. Sound Of Waves
10. Jump Ship

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Thursday - Kill The House Lights

Guardada as devidas proporções, eis uma mistureba de At The Drive-In + Underoath: Thursday. "Kill the house lights", o quarto full-lengh desses veteranos do post-hardcore é uma espécie de retrospectiva da produção da banda. Tanto o é que o novo álbum do grupo vem acompanhado de um DVD, abrangendo esses 10 anos de existência da banda em forma de documentário, e em forma de performances ao longo da estrada. O título do registro é inspirado na letra de "M. Shepard" do álbum War All The Time, que trata do caso do estudante universitário Matthew Shepard, espancado até a morte, vítima de homofobia. O álbum é iniciado com "Ladies and Gentlemen: My Brother, the Failure", faixa que poe o ouvinte logo em contato com o vocal de Geoff Rickly. Para ouvidos virgens de Thursday (como os meus), o modo que Geoff canta pode soar um tanto quanto desafinado, mas isso não tira o brilho da música. Após o primeiro contato, esse mesmo cantor vai se transformando no elo de ligação entre você e o ambiente dramático, agoniado dessa faixa, muito em parte de seu tremendo alcance vocal. Mais adiante em "Signals Over the Air", esse sexteto mostra uma nova faceta, mais experimental. "Dead Songs" parece um pouco tumultuada de início, mas acaba ganhando pelo refrão simpático. Em suma, nada muito além do que se prevê desde o início do registro, o que no entanto não vem a desagradar. O fato de o disco conter algumas faixas ao vivo e outras em formato demo, é mais um item positivo adicionado no balanço geral.

Nota: 7/10
Selo: Victory Records
Data de lançamento: 30/10/2007
Website: www.purevolume.com/thursday
Tracklist:
01. Ladies and Gentlemen: My Brother, the Failure (with Tim Kasher)
02. Dead Songs
03. Voices on a String
04. Signals Over the Air (Live at the Starland Ballroom)
05. How Long Is the Night? (Original Introduction Mix) [Demo]
06. A Sketch for Time's Arrow
07. Panic on the Streets of Health Care City
08. The Roar of Far Off Black Jets
09. Paris in Flames (Demo)
10. Telegraph Avenue Kiss (Rich Costey Mix)
11. Wind-Up (Demo)
12. Music from Kill the House Lights (Demo)

sábado, dezembro 15, 2007

Child O' Flames - Child O' Flames

Há um certo tempo atrás, descobri a Child O' Flames em uma de minhas "caçadas" pela internet. No meio de tantas outras bandas, me chamou atenção logo de cara, pelo trabalho fonográfico de divulgação, que, diga-se de passagem, é muito bem feito e foge daquele padrão que as bandas de metal seguem. Com um pouco mais de conhecimento a respeito da banda, notei que esse espírito de inovação e originalidade norteia a existência do grupo. Trabalham sempre dentro do conceito de modernidade, daí a dificuldade de rotular o som que executam. À primeira impressão, é provável que a associação com os suecos do In Flames e Soilwork seja inevitável. Nada muito fora do normal, pois estas são as influências mais significantes nas composições. Iniciada oficialmente em julho de 2004 na cidade de Curitiba, a Child O' Flames passou por diversas formações de line-up, tendo se estabilizado aproximadamente no momento de gravação deste EP, homônimo da banda. O cartão de visita fica por conta de "Game of Kings". Mostrando o potencial instrumental desse quinteto, aliado claro, à muito peso trabalhado com bastante competência, a música permeia universos diferentes alternadamente, sendo que na altura do refrão, "enche" o ouvinte com um interlúdio melódico, harmônico, de vocais limpos e grudentos. Em seguida, vem o que já consideram como o "hino da banda": "Dead!". Seguindo uma fórmula parecida, essa faixa explora bastante o trabalho da dupla de guitarristas, tendo seu ponto altíssimo na vocalização de Douglas no refrão. Desafio qualquer um a escutá-lo uma única vez! A terceira faixa chama-se "End of Time". Com uma pegada mais hardcore em certos trechos misturada a fragmentos mais lentos, introduz um clima mais introspectivo na áurea do EP. Finalizando, infelizmente aos 14 minutos de duração, surge "Worthy of Yourself". Ainda que na mesma dinâmica presente no EP, essa faixa, no geral, é mais lenta, e coloca em maior visibilidade o labor do contra-baixo. Avaliação geral: positiva. Qualidade da gravação: excelente. Único ponto fraco: ser um EP, que, por isso, tem curta duração. Estamos diante de mais uma banda brazuca promissora. O fato de já terem divido palco com os consagrados Sepultura, Korzus e Exodus (em sua recente passagem pelo país), apenas reforçam essa certeza. É mesmo surpreende constatar tamanho sucesso para uma banda que sequer lançou um full lengh! Para quem por ventura se interessar por esse EP, duas belas notícias: o material foi disponibilizado na íntegra para download pelos próprios integrantes; e a banda tem planos de, em breve, inicar a gravação do seu debut. Portanto, fiquem de olho que futuramente teremos novo material do COF.

Nota: 9/10
Selo: Independente
Data de lançamento: Janeiro/2007
Website: www.myspace.com/childoflames
www.fotolog.com/childoflames

Tracklist:
01. Game of Kings
02. Dead!
03. End of Time
04. Worthy of Yourself

quinta-feira, novembro 08, 2007

Paura - Reverse The Flow

Uma das bandas brasileiras de hardcore moderno mais notáveis aqui e no exterior atualmente, o Paura, impressiona de novo. Conseguiu o milagre de superar o excelente "Youkillusweovercome"! Quem já conhece essa pérola vai entender a dimensão do feito desse quinteto paulistano. Tal fardo de superação não se restringia somente à qualidade do registro. Ia além. "Youkillusweovercome" foi o responsável pela expansão e consolidação do prestígio da banda no exterior, mais especificamente nos países sul-americanos como Chile e Argentina (onde realisaram uma turnê). Ultrapassando os 10 anos de estrada e com o recente lançamento do sexto disco da carreira, os veteranos do Paura provam que não se acomodam um minuto sequer com suas conquistas. Isso inclusive só lhes dá mais ânimo de continuar batalhando em busca da superação e da perfeição a cada trabalho. Sendo assim, os bons resultados sempre aparecem. Gravado e mixado pelo próprio baterista da banda (Henrique Pucci), em seu estúdio, e posteriormente masterizado por Alexander Dietz (guitarrista do Heaven Shall Burn), está o que Fábio Prandini (vocalista) afirmou como sendo "o disco definitivo do Paura". "Reverse The Flow" é fúria, revolta, ódio, medo, pavor...Tudo milimetricamente bem dosado para não criar exageros e soar forçoso. Junte a velha guarda hardcoriana com pegadas ao melhor estilo Sepultura, de forma única, e terás o trailer da obra. O conjunto das cordas (guitarras e baixo) está impecável. A voz de Fábio encaixou-se perfeitamente na proposta da banda, e a técnica de Henrique foi devidamente destacada. As faixas que conseguiram se sobressair a esse conjunto de músicas de tamanha qualidade são: "The Killing Mask", "Source Of Violence" e a que dá nome ao disco. Os 12 meses de trabalho árduo dispendidos na composição do álbum transmitem ao ouvinte a sensação de que cada milésimo de segundo, cada verso, cada arranjo, enfim, cada componente do disco teve um propósito muito bem pensado. A espera foi grande, sim. Mas certamente, foi extasiante ouvir essa perfeição de resultado. "Reverse The Flow" é item obrigatório para ouvintes de tímpano apurado.

Nota: 10/10
Selo: Liberation
Data de lançamento: 02/09/07
Website: www.paura.com.br/ /
www.myspace.com/paura3rdworld

Tracklist:
01. Reverse The Flow
02. The Killing Mask
03. Drive By Fire
04. Clean Exposure
05. Source Of Violence
06. Old Tools Work
07. Back And At War
08. Unbroken Tree
09. Death Is A Gift
10. Insurgence

terça-feira, outubro 23, 2007

Ayat Akrass - Como Uma Tela Pintada Com O Nosso Sangue

Para todos os que pensam que o cenário do metal nacional de qualidade se restringe ao Sudeste, principalmente a São Paulo, os curitibanos do Ayat Akrass chegam para convencê-los de que estão enganados. Fazem isso em matadores 38 minutos do belíssimo "Como Uma Tela Pintada Com O Nosso Sangue". Desde a concepção artística do material (capa, encarte e contracapa) ao acabamento das músicas, percebe-se que houve uma preocupação muito nítida em fazer deste disco uma legítima obra de arte. A temática que engloba os ideários da banda só vem confirmar o fato de que não se trata aqui de um grupo qualquer. O Ayat Akrass cita explicitamente que além de nomes consagrados como Napalm Death, Sepultura e Biohazard, faz parte do conjunto de suas influências o legado do inigualável teórico alemão Karl Marx! Devido à postura politicamente engajada da banda, esta assume um patamar quase vanguardista. Já quando acrescentado o seu instrumental nessa análise, nos vemos então diante da iminência de uma revolução do metal moderno. A maturidade sonora atingida pelo quinteto é invejável e surpreendente, pois são apenas quatro os anos de existência da banda. Após a demo "Quando o preço da glória é pago com sangue" (2003) e o EP "Entre Corpos e Cinzas" (2005), o AA exibe agora um trabalho encorpado, denso e impactante, que é de deixar o mais exigente dos ouvintes boquiaberto. Todas as músicas são executadas com uma destreza técnica excepcional. A dupla Edgard Navarro e Marcelo Bacellar esbanja dinamismo e criatividade, Braulio Delai intensifica o peso da música com uma pegada precisa, Andre Cirino dita o andamento das faixas com tanta virtuosidade que chega a roubar a atenção do ouvinte (no ótimo sentido), e Nilo Netto fecha o quinteto mostrando sua vigorosa linearidade vocal (para o nosso deleite). Ainda que seja um álbum todo bom, os destaques vão para "Descaminho", "Entre Corpos e Cinzas: Segundo Ato" e "Agosto Vermelho". Gravado num dos melhores estúdios do país (DaTribo), "Como Uma Tela Pintada Com O Nosso Sangue" se encaminha para se consolidar como um dos discos mais importantes do metal nacional. Vale (literalmente) cada centavo. O feliz comprador ainda leva de brinde o vídeo de "Descaminho".

Nota: 10/10
Selos: Deathtime , Estopim, Firestorm, Fuckitall, União Positiva
Data de lançamento: 01/06/07
Website: www.myspace.com/ayatakrass

Tracklist:
01. Intro
02. Descaminho
03. Entre Corpos e Cinzas: Segundo Ato
04. Amar e Inflamar
05. Catraca
06. Agosto Vermelho
07. Entre Corpos e Cinzas: Primeiro Ato
08. Quadro Negro
09. Entre Corpos e Cinzas: Terceiro Ato
10. Por Outros Tempos



Foo Fighters - Echoes, Silence, Patience & Grace

Inusitado. Certamente inusitado. Creio que muitos, assim como aconteceu comigo, irão se surpreender com "Echoes, Silence, Patience & Grace", o sétimo álbum do Foo Fighters. Na verdade o quarto da banda como um todo, já que o disco debut e seus dois sucessores foram gravados unica e exclusivamente pelo "mil em um" Dave Grohl. Para quem esperava por um disco que seguisse a tradição do que vinha sendo apresentado pelo grupo: surpresa. Já para os que esperavam por uma reviravolta vinda das entranhas da prolífica mente do frontam desses lutadores, eis então um banquete. O cartão de visita vem com "The Pretender", a primeira música de trabalho desse álbum. Pude constatar que a faixa transita por pelo menos 3 ambientações: logo no início surge um dedilhado de guitarra seguido de uma vocalização melosa a lá Oasis; as passagens que intermediam esse prólogo juntamente com o refrão marcam presença no melhor estilo "All My Life" de ser; e perto dos dois minutos e meio, a rapidez e a energia dão uma cessada, cedendo lugar a uma passagem do tipo "batendo palminhas" com direito a um riff extremamente típico dos anos 70! Mais adiante, temos "Long Road to Ruin", uma música mais leve, para relaxar e, por que não, curtir uma sensação de nostalgia? (Vale lembrar que o exemplo só serve para aqueles que já carregam entre 3 e 4, ou até mais que isso, décadas de existência nesse planeta nas costas - nosso boss que vos fale!). Quem já ouviu The Monkeys e The Beach Boys sabe do que estou falando. "Echoes, Silence, Patience & Grace" tem mesmo de tudo, de baladinha praiana perfeita para um lualzinho, como é o caso de "Stranger Things Have Happened", até o instrumental folk de "Ballad of the Beaconsfield Miners". A experiência de fazer um disco duplo, divido em músicas plugadas e desplugadas, seguida da gravação do primeiro acústico da banda fez o pessoal gostar da coisa. Sem dúvida, a harmonia entre os integrantes está muito boa, faltou apenas um pouco mais de versatilidade nas composições.


Nota: 7/10
Selo: RCA
Data de lançamento: 25/09/07
Website: www.foofighters.com/ /
www.myspace.com/foofighters

Tracklist:
1. The Pretender
2. Let It Die
3. Erase/Replace
4. Long Road to Ruin
5. Come Alive
6. Stranger Things Have Happened
7. Cheer Up, Boys (Your Make Up Is Running)
8. Summer's End
9. Ballad of the Beaconsfield Miners
10. Statues
11. But, Honestly
12. Home

domingo, setembro 23, 2007

Coliseum - No Salvation

Você aí que gosta de true Hardcore, olho vivo em "No Salvation", terceiro lançamento do Coliseum. Mais precisamente, não se trata de um legítimo hardcore, já que a banda vale-se de elementos do punk rock e até do rock 'n' roll. De toda maneira, é o bom e velho HC que se faz mais perceptível. Não bastasse o fato por si só, somos agraciados pela altíssima competência dos músicos, que, pasmem, são apenas três! Chris Maggio é impecável no domínio rítmico das músicas do disco. Ele nos dá até uma palhinha de seu virtuosismo e versatilidade em "Shake It Off". Mike Pascal executa com maestria a sua função de baixista, dando o peso característo dos contra-baixos de HC. Já Ryan Patterson fecha o trio comandando com digníssimo talento tanto as guitarras quanto os vocais da banda. É de se espantar que o trio consiga criar uma música tão expansiva e envolvente. Definitivamente, esse é o ponto forte do disco: sua força de atração. O ouvinte é literalmente trazido para dentro das músicas, para dentro do ambiente deliciosamente incosequente e rebelde. O álbum é dotado de uma energia incrível que, inexplicavelmente, não cessa. Você fica Pavlovianamente condicionado a ouvir o disco de novo, e de novo, e mais uma vez. Provavelmente quando acabar, já vai sentir falta e querer ouví-lo de novo. Com as devidas proporções reservadas, quem já conferiu "Class War" do Wisdom In Chains irá traçar algumas semelhanças. Mas com o perdão da palavra, "No Salvation" é um tanto superior. Há algum tempo não sentia mais tanto gosto em ouvir um cd "de cabo a rabo". Mérito ao Coliseum que faz jus ao nome, nos presentiando com uma obra colossal!

Nota: 9/10
Selo: Relapse
Data de lançamento: 21/08/07
Website: www.myspace.com/coliseum

Tracklist:
01. No Benefit
02. Defeater
03. The Fate of Men
04. Seven Cities
05. Profetas
06. Shake It Off
07. Skyline Fucker
08. Funeral Line
09. White Religion
10. Interceptor
11. Fall Of The Pigs
12. Believer
13. The Burden

segunda-feira, setembro 17, 2007

Marilyn Manson - Eat Me, Drink Me

Brian Hugh Warner, ou melhor, Marilyn Manson renasceu das cinzas! Aleluia irmãos! Após 4 anos respirando outros ares, o andrógino mais odiado e mais fanaticamente adorado da civilização moderna volta a trabalhar no que o consagrou: a música. Beirando a casa dos 40, Manson deixa claro em "Eat Me, Drink Me" o que os anos de vida nesse mundo lhe proporcionaram - maturidade. Fique bem claro, no entanto, que isso não quer dizer que A BESTA está mais comportada. Jamais! O videoclipe da 1ª música de trabalho, "Heart-Shaped Glasses (When The Heart Guides The Hand)", acalma os ânimos dos que pensam que o titio tá ficando careta (sem trocadilho!). Em quase toda sua duração, o vídeo mostra cenas de sexo, que Manson afirma ele próprio ter executado, e sem "fazer de conta"! Não bastassem as imagens e o making off das mesmas, entrando no âmbito da vida pessoal do artista, a coisa ganha proporção ainda mais chocante. Recentemente Brian se divorciou. O motivo: outra. Que outra? Essa mesma que atua no clipe! Espantado? Ainda tem mais. A sonoridade do disco está irreconhecivelmente mais light e experimental (principalmente se compararmos com "Antichrist Superstar"), chegando ao ponto de, na música citada acima, me ocorrer a vaga semelhança com as chamadas bandas indie. Manson pouco se importa com rotulações ou comparações, o que me deixa a vontade para fazer outra. Por adotar a cada álbum todo um contexto novo (incluindo visual e tema geral tratado no disco) e também uma sonoridade original, Manson se assemelha muito com o camaleão do rock David Bowie. A tématica de "Eat Me, Drink Me" adentra o mundo de "Alice no país das maravilhas". O exemplo mais claro é "Are You The Rabbit?". Outros destaques ficaram por conta de: "Putting Holes In Happiness"; "Eat Me, Drink Me" e "They Said That Hell's Not Hot". A produção desse espécime raro de americano (daqueles com visão crítica e que entendem arte como arte, e não como mero produto) ganhou mais uma bela obra. É possível fazer um disco impactante, sem, no entanto, massacrar ouvidos alheios - foi o que Manson provou nesse novo cd. Coma Marilyn Manson, beba Marilyn Manson, deguste Marilyn Manson. Por incrível que pareça, será uma boa experiência.

Nota: 8/10
Selo: Interscope
Data de lançamento: 05/06/07
Website: www.marilynmanson.com/ /
www.myspace.com/marilynmanson

Tracklist:
1. If I Was Your Vampire
2. Putting Holes In Happiness
3. The Red Carpet Grave
4. They Said That Hell's Not Hot
5. Just A Car Crash Away
6. Heart-Shaped Glasses (When The Heart Guides The Hand)
7. Evidence
8. Are You The Rabbit?
9. Mutilation Is The Sincere Form Of Flattery
10. You And Me And The Devil Makes 3
11. Eat Me, Drink Me