Há um certo tempo atrás, descobri a Child O' Flames em uma de minhas "caçadas" pela internet. No meio de tantas outras bandas, me chamou atenção logo de cara, pelo trabalho fonográfico de divulgação, que, diga-se de passagem, é muito bem feito e foge daquele padrão que as bandas de metal seguem. Com um pouco mais de conhecimento a respeito da banda, notei que esse espírito de inovação e originalidade norteia a existência do grupo. Trabalham sempre dentro do conceito de modernidade, daí a dificuldade de rotular o som que executam. À primeira impressão, é provável que a associação com os suecos do In Flames e Soilwork seja inevitável. Nada muito fora do normal, pois estas são as influências mais significantes nas composições. Iniciada oficialmente em julho de 2004 na cidade de Curitiba, a Child O' Flames passou por diversas formações de line-up, tendo se estabilizado aproximadamente no momento de gravação deste EP, homônimo da banda. O cartão de visita fica por conta de "Game of Kings". Mostrando o potencial instrumental desse quinteto, aliado claro, à muito peso trabalhado com bastante competência, a música permeia universos diferentes alternadamente, sendo que na altura do refrão, "enche" o ouvinte com um interlúdio melódico, harmônico, de vocais limpos e grudentos. Em seguida, vem o que já consideram como o "hino da banda": "Dead!". Seguindo uma fórmula parecida, essa faixa explora bastante o trabalho da dupla de guitarristas, tendo seu ponto altíssimo na vocalização de Douglas no refrão. Desafio qualquer um a escutá-lo uma única vez! A terceira faixa chama-se "End of Time". Com uma pegada mais hardcore em certos trechos misturada a fragmentos mais lentos, introduz um clima mais introspectivo na áurea do EP. Finalizando, infelizmente aos 14 minutos de duração, surge "Worthy of Yourself". Ainda que na mesma dinâmica presente no EP, essa faixa, no geral, é mais lenta, e coloca em maior visibilidade o labor do contra-baixo. Avaliação geral: positiva. Qualidade da gravação: excelente. Único ponto fraco: ser um EP, que, por isso, tem curta duração. Estamos diante de mais uma banda brazuca promissora. O fato de já terem divido palco com os consagrados Sepultura, Korzus e Exodus (em sua recente passagem pelo país), apenas reforçam essa certeza. É mesmo surpreende constatar tamanho sucesso para uma banda que sequer lançou um full lengh! Para quem por ventura se interessar por esse EP, duas belas notícias: o material foi disponibilizado na íntegra para download pelos próprios integrantes; e a banda tem planos de, em breve, inicar a gravação do seu debut. Portanto, fiquem de olho que futuramente teremos novo material do COF.Nota: 9/10
Selo: Independente
Data de lançamento: Janeiro/2007
Website: www.myspace.com/childoflames
www.fotolog.com/childoflames
Tracklist:
01. Game of Kings
02. Dead!
03. End of Time
04. Worthy of Yourself
Uma das bandas brasileiras de hardcore moderno mais notáveis aqui e no exterior atualmente, o Paura, impressiona de novo. Conseguiu o milagre de superar o excelente "Youkillusweovercome"! Quem já conhece essa pérola vai entender a dimensão do feito desse quinteto paulistano. Tal fardo de superação não se restringia somente à qualidade do registro. Ia além. "Youkillusweovercome" foi o responsável pela expansão e consolidação do prestígio da banda no exterior, mais especificamente nos países sul-americanos como Chile e Argentina (onde realisaram uma turnê). Ultrapassando os 10 anos de estrada e com o recente lançamento do sexto disco da carreira, os veteranos do Paura provam que não se acomodam um minuto sequer com suas conquistas. Isso inclusive só lhes dá mais ânimo de continuar batalhando em busca da superação e da perfeição a cada trabalho. Sendo assim, os bons resultados sempre aparecem. Gravado e mixado pelo próprio baterista da banda (Henrique Pucci), em seu estúdio, e posteriormente masterizado por Alexander Dietz (guitarrista do Heaven Shall Burn), está o que Fábio Prandini (vocalista) afirmou como sendo "o disco definitivo do Paura". "Reverse The Flow" é fúria, revolta, ódio, medo, pavor...Tudo milimetricamente bem dosado para não criar exageros e soar forçoso. Junte a velha guarda hardcoriana com pegadas ao melhor estilo Sepultura, de forma única, e terás o trailer da obra. O conjunto das cordas (guitarras e baixo) está impecável. A voz de Fábio encaixou-se perfeitamente na proposta da banda, e a técnica de Henrique foi devidamente destacada. As faixas que conseguiram se sobressair a esse conjunto de músicas de tamanha qualidade são: "The Killing Mask", "Source Of Violence" e a que dá nome ao disco. Os 12 meses de trabalho árduo dispendidos na composição do álbum transmitem ao ouvinte a sensação de que cada milésimo de segundo, cada verso, cada arranjo, enfim, cada componente do disco teve um propósito muito bem pensado. A espera foi grande, sim. Mas certamente, foi extasiante ouvir essa perfeição de resultado. "Reverse The Flow" é item obrigatório para ouvintes de tímpano apurado.
Para todos os que pensam que o cenário do metal nacional de qualidade se restringe ao Sudeste, principalmente a São Paulo, os curitibanos do Ayat Akrass chegam para convencê-los de que estão enganados. Fazem isso em matadores 38 minutos do belíssimo "Como Uma Tela Pintada Com O Nosso Sangue". Desde a concepção artística do material (capa, encarte e contracapa) ao acabamento das músicas, percebe-se que houve uma preocupação muito nítida em fazer deste disco uma legítima obra de arte. A temática que engloba os ideários da banda só vem confirmar o fato de que não se trata aqui de um grupo qualquer. O Ayat Akrass cita explicitamente que além de nomes consagrados como Napalm Death, Sepultura e Biohazard, faz parte do conjunto de suas influências o legado do inigualável teórico alemão Karl Marx! Devido à postura politicamente engajada da banda, esta assume um patamar quase vanguardista. Já quando acrescentado o seu instrumental nessa análise, nos vemos então diante da iminência de uma revolução do metal moderno. A maturidade sonora atingida pelo quinteto é invejável e surpreendente, pois são apenas quatro os anos de existência da banda. Após a demo "Quando o preço da glória é pago com sangue" (2003) e o EP "Entre Corpos e Cinzas" (2005), o AA exibe agora um trabalho encorpado, denso e impactante, que é de deixar o mais exigente dos ouvintes boquiaberto. Todas as músicas são executadas com uma destreza técnica excepcional. A dupla Edgard Navarro e Marcelo Bacellar esbanja dinamismo e criatividade, Braulio Delai intensifica o peso da música com uma pegada precisa, Andre Cirino dita o andamento das faixas com tanta virtuosidade que chega a roubar a atenção do ouvinte (no ótimo sentido), e Nilo Netto fecha o quinteto mostrando sua vigorosa linearidade vocal (para o nosso deleite). Ainda que seja um álbum todo bom, os destaques vão para "Descaminho", "Entre Corpos e Cinzas: Segundo Ato" e "Agosto Vermelho". Gravado num dos melhores estúdios do país (DaTribo), "Como Uma Tela Pintada Com O Nosso Sangue" se encaminha para se consolidar como um dos discos mais importantes do metal nacional. Vale (literalmente) cada centavo. O feliz comprador ainda leva de brinde o vídeo de "Descaminho".
Inusitado. Certamente inusitado. Creio que muitos, assim como aconteceu comigo, irão se surpreender com "Echoes, Silence, Patience & Grace", o sétimo álbum do Foo Fighters. Na verdade o quarto da banda como um todo, já que o disco debut e seus dois sucessores foram gravados unica e exclusivamente pelo "mil em um" Dave Grohl. Para quem esperava por um disco que seguisse a tradição do que vinha sendo apresentado pelo grupo: surpresa. Já para os que esperavam por uma reviravolta vinda das entranhas da prolífica mente do frontam desses lutadores, eis então um banquete. O cartão de visita vem com "The Pretender", a primeira música de trabalho desse álbum. Pude constatar que a faixa transita por pelo menos 3 ambientações: logo no início surge um dedilhado de guitarra seguido de uma vocalização melosa a lá Oasis; as passagens que intermediam esse prólogo juntamente com o refrão marcam presença no melhor estilo "All My Life" de ser; e perto dos dois minutos e meio, a rapidez e a energia dão uma cessada, cedendo lugar a uma passagem do tipo "batendo palminhas" com direito a um riff extremamente típico dos anos 70! Mais adiante, temos "Long Road to Ruin", uma música mais leve, para relaxar e, por que não, curtir uma sensação de nostalgia? (Vale lembrar que o exemplo só serve para aqueles que já carregam entre 3 e 4, ou até mais que isso, décadas de existência nesse planeta nas costas - nosso boss que vos fale!). Quem já ouviu The Monkeys e The Beach Boys sabe do que estou falando. "Echoes, Silence, Patience & Grace" tem mesmo de tudo, de baladinha praiana perfeita para um lualzinho, como é o caso de "Stranger Things Have Happened", até o instrumental folk de "Ballad of the Beaconsfield Miners". A experiência de fazer um disco duplo, divido em músicas plugadas e desplugadas, seguida da gravação do primeiro acústico da banda fez o pessoal gostar da coisa. Sem dúvida, a harmonia entre os integrantes está muito boa, faltou apenas um pouco mais de versatilidade nas composições..jpg)



