Você aí que gosta de true Hardcore, olho vivo em "No Salvation", terceiro lançamento do Coliseum. Mais precisamente, não se trata de um legítimo hardcore, já que a banda vale-se de elementos do punk rock e até do rock 'n' roll. De toda maneira, é o bom e velho HC que se faz mais perceptível. Não bastasse o fato por si só, somos agraciados pela altíssima competência dos músicos, que, pasmem, são apenas três! Chris Maggio é impecável no domínio rítmico das músicas do disco. Ele nos dá até uma palhinha de seu virtuosismo e versatilidade em "Shake It Off". Mike Pascal executa com maestria a sua função de baixista, dando o peso característo dos contra-baixos de HC. Já Ryan Patterson fecha o trio comandando com digníssimo talento tanto as guitarras quanto os vocais da banda. É de se espantar que o trio consiga criar uma música tão expansiva e envolvente. Definitivamente, esse é o ponto forte do disco: sua força de atração. O ouvinte é literalmente trazido para dentro das músicas, para dentro do ambiente deliciosamente incosequente e rebelde. O álbum é dotado de uma energia incrível que, inexplicavelmente, não cessa. Você fica Pavlovianamente condicionado a ouvir o disco de novo, e de novo, e mais uma vez. Provavelmente quando acabar, já vai sentir falta e querer ouví-lo de novo. Com as devidas proporções reservadas, quem já conferiu "Class War" do Wisdom In Chains irá traçar algumas semelhanças. Mas com o perdão da palavra, "No Salvation" é um tanto superior. Há algum tempo não sentia mais tanto gosto em ouvir um cd "de cabo a rabo". Mérito ao Coliseum que faz jus ao nome, nos presentiando com uma obra colossal!Nota: 9/10
Selo: Relapse
Data de lançamento: 21/08/07
Website: www.myspace.com/coliseum
Tracklist:
01. No Benefit
02. Defeater
03. The Fate of Men
04. Seven Cities
05. Profetas
06. Shake It Off
07. Skyline Fucker
08. Funeral Line
09. White Religion
10. Interceptor
11. Fall Of The Pigs
12. Believer
13. The Burden






Definitivamente, há um oceano entre a produção musical européia e a norte-americana. Analisado aqui, em primeira mão, esse terceiro álbum dos alemães do Neaera só vêm a confirmar essa disparidade. Nitidamente influenciado pelo Death/Trash Metal, além é claro do Hardcore, essa banda oriunda de Münster tem uma história, no mínimo, interessante. Fundada em 2003 como um projeto paralelo encabeçado pelo guitarrista solo Tobias Buck, o então The Ninth Gate visava redirecionar o que Buck andava produzindo na sua carreira musical. O que ninguém esperava, era que essa idéia fosse tão longe tão depressa. Com menos de um ano de existência, o grupo já dispunha de uma demo e ostentava um recém-assinado contrato com a gigante Metal Blade Records! O próximo passo seria a mudança de nome. Depois de muito lenga-lenga, The Ninth Gate tornou-se Neaera (alusão à mitologia grega). Em 2005 sai o debut da banda: “The Rising Tide Of Oblivion”. A partir de então começou a enxurrada de shows com os pesos-pesados do velho continente. Talvez tenha iniciado aí, do convívio com os conterrâneos do Heaven Shall Burn, uma certa sememlhança sonora entre as duas bandas. A 7 de Abril de 2006, o Neaera mostra ao mundo sua nova criação, “Let The Tempest Come”. Nesse novo disco, é notório o crescimento muscial de todos os integrantes, principalmente do vocalista Benjamin Hilleke. A ser lançado ainda em agosto do presente ano, "Armamentarium" vem para confirmar uma tendência peculiar, e também um tanto arriscada, do Neaera: um cd a cada ano! Cobrança da gravadora? Exigência dos próprios músicos? Anseio em mostrar serviço? Sinceramente, não sei. Fato mesmo é a evolução gradativa que a banda vem tendo a cada disco. "Spearheading The Spawn" é a faixa inicial desse trabalho. Trata-se de uma boa música, que apresenta um Neaera mais pesado do que nunca. Peca, no entanto, no longo 1'07" de repetição do mesmo riff. A música-título também merece destaque. Dessa vez, o crédito vai para todo o grupo por igual. Fica evidente aí o caráter de equipe da banda. Contudo, desse ponto em diante, o álbum adquire uma linearidade (nenhuma inovação). É frustrante observar que uma banda tão promissora como esta trilha o caminho do insucesso (a repetição do que já é saturado). Talvez se dessem mais tempo entre um disco e outro, ou se enveredassem por outros caminhos, poderiam obter ainda mais sucesso. Talvez...