domingo, setembro 23, 2007

Coliseum - No Salvation

Você aí que gosta de true Hardcore, olho vivo em "No Salvation", terceiro lançamento do Coliseum. Mais precisamente, não se trata de um legítimo hardcore, já que a banda vale-se de elementos do punk rock e até do rock 'n' roll. De toda maneira, é o bom e velho HC que se faz mais perceptível. Não bastasse o fato por si só, somos agraciados pela altíssima competência dos músicos, que, pasmem, são apenas três! Chris Maggio é impecável no domínio rítmico das músicas do disco. Ele nos dá até uma palhinha de seu virtuosismo e versatilidade em "Shake It Off". Mike Pascal executa com maestria a sua função de baixista, dando o peso característo dos contra-baixos de HC. Já Ryan Patterson fecha o trio comandando com digníssimo talento tanto as guitarras quanto os vocais da banda. É de se espantar que o trio consiga criar uma música tão expansiva e envolvente. Definitivamente, esse é o ponto forte do disco: sua força de atração. O ouvinte é literalmente trazido para dentro das músicas, para dentro do ambiente deliciosamente incosequente e rebelde. O álbum é dotado de uma energia incrível que, inexplicavelmente, não cessa. Você fica Pavlovianamente condicionado a ouvir o disco de novo, e de novo, e mais uma vez. Provavelmente quando acabar, já vai sentir falta e querer ouví-lo de novo. Com as devidas proporções reservadas, quem já conferiu "Class War" do Wisdom In Chains irá traçar algumas semelhanças. Mas com o perdão da palavra, "No Salvation" é um tanto superior. Há algum tempo não sentia mais tanto gosto em ouvir um cd "de cabo a rabo". Mérito ao Coliseum que faz jus ao nome, nos presentiando com uma obra colossal!

Nota: 9/10
Selo: Relapse
Data de lançamento: 21/08/07
Website: www.myspace.com/coliseum

Tracklist:
01. No Benefit
02. Defeater
03. The Fate of Men
04. Seven Cities
05. Profetas
06. Shake It Off
07. Skyline Fucker
08. Funeral Line
09. White Religion
10. Interceptor
11. Fall Of The Pigs
12. Believer
13. The Burden

segunda-feira, setembro 17, 2007

Marilyn Manson - Eat Me, Drink Me

Brian Hugh Warner, ou melhor, Marilyn Manson renasceu das cinzas! Aleluia irmãos! Após 4 anos respirando outros ares, o andrógino mais odiado e mais fanaticamente adorado da civilização moderna volta a trabalhar no que o consagrou: a música. Beirando a casa dos 40, Manson deixa claro em "Eat Me, Drink Me" o que os anos de vida nesse mundo lhe proporcionaram - maturidade. Fique bem claro, no entanto, que isso não quer dizer que A BESTA está mais comportada. Jamais! O videoclipe da 1ª música de trabalho, "Heart-Shaped Glasses (When The Heart Guides The Hand)", acalma os ânimos dos que pensam que o titio tá ficando careta (sem trocadilho!). Em quase toda sua duração, o vídeo mostra cenas de sexo, que Manson afirma ele próprio ter executado, e sem "fazer de conta"! Não bastassem as imagens e o making off das mesmas, entrando no âmbito da vida pessoal do artista, a coisa ganha proporção ainda mais chocante. Recentemente Brian se divorciou. O motivo: outra. Que outra? Essa mesma que atua no clipe! Espantado? Ainda tem mais. A sonoridade do disco está irreconhecivelmente mais light e experimental (principalmente se compararmos com "Antichrist Superstar"), chegando ao ponto de, na música citada acima, me ocorrer a vaga semelhança com as chamadas bandas indie. Manson pouco se importa com rotulações ou comparações, o que me deixa a vontade para fazer outra. Por adotar a cada álbum todo um contexto novo (incluindo visual e tema geral tratado no disco) e também uma sonoridade original, Manson se assemelha muito com o camaleão do rock David Bowie. A tématica de "Eat Me, Drink Me" adentra o mundo de "Alice no país das maravilhas". O exemplo mais claro é "Are You The Rabbit?". Outros destaques ficaram por conta de: "Putting Holes In Happiness"; "Eat Me, Drink Me" e "They Said That Hell's Not Hot". A produção desse espécime raro de americano (daqueles com visão crítica e que entendem arte como arte, e não como mero produto) ganhou mais uma bela obra. É possível fazer um disco impactante, sem, no entanto, massacrar ouvidos alheios - foi o que Manson provou nesse novo cd. Coma Marilyn Manson, beba Marilyn Manson, deguste Marilyn Manson. Por incrível que pareça, será uma boa experiência.

Nota: 8/10
Selo: Interscope
Data de lançamento: 05/06/07
Website: www.marilynmanson.com/ /
www.myspace.com/marilynmanson

Tracklist:
1. If I Was Your Vampire
2. Putting Holes In Happiness
3. The Red Carpet Grave
4. They Said That Hell's Not Hot
5. Just A Car Crash Away
6. Heart-Shaped Glasses (When The Heart Guides The Hand)
7. Evidence
8. Are You The Rabbit?
9. Mutilation Is The Sincere Form Of Flattery
10. You And Me And The Devil Makes 3
11. Eat Me, Drink Me

sábado, setembro 01, 2007

Otep - The Ascension

É tarefa quase impossível ouvir esse novo Otep sem evitar comparações. Nada mais do que previsível, já que uma certa falta de identidade sonora parece perseguir a banda. Em "House of Secrets" a semelhança vocal de Otep Shamaya pendia mais para a bestialidade de Angela Gossow (Arch Enemy). Agora, sua vocalização pende mais para o quarteto canadense Kittie, e, em algumas passagens, se assemalha a Candace Kucsulain (Walls of Jericho). O que quer que tenha ocorrido entre o último disco e "The Ascension", foi forte o suficiente para ocasionar tamanha mudança. Diante da tendência das demais bandas de New Metal de buscarem suas "reinvenções", essa banda californiana mostra nesse novo álbum que está, sutilmente, seguindo o caminho inverso - voltando às raízes do gênero. Ousadia? Suicídio?! Só o tempo poderá dizer. Mas, verdade seja dita: aquele Otep que ainda engatinhava, descoberto por Sharon Osbourne, não é mais o mesmo; o mundo musical não é mais o mesmo (e não está pra peixe); e o Nu Metal agoniza seus últimos dias. Portanto, o cenário não está favorável à esse tipo de postura. Entretanto, Shamaya e sua banda valeram-se também de algumas misturas em seu som: aplicam elementos de Death Metal, Gótico e até algumas pitadas de rap (como em boa parte de "Confrontation"). A faixa que talvez exemplifique melhor todo esse caldeirão que compõe o disco é "Ghostflowers". Em primeira instância, vocais sussurrados e agonizantes vão criando um clima de tensão, logo em seguida Karma Cheema faz alguma coisa com seu instrumento que me lembra música árabe (!), um novo clima de tensionamento se segue até atingir o ápice desse suspense (onde a frontwoman libera toda a sua energia vocálica). "The Ascension" deixou a desejar pela sua notória falta de definição. Mesmo misturando alguns elementos, soa bastante indeciso. "Breed" (cover do Nirvana), soando no mínimo estranha, e a balada "Perfectly Flawed" (apesar de agradável), são atenuantes desse impasse, pois simplesmente não tem nada a ver com as demais músicas do álbum. Uma coisa é certa: A Ascensão não virá por esse rumo. Antes de mais nada, é preciso se decidir de que lado do muro se posicionar.

Nota: 6/10
Selo: Capitol
Data de lançamento: 2007
Website: www.otep.com/ /

Tracklist:
1. March of the Martyrs
2. Confrontation
3. Perfectly Flawed
4. Crooked Spoons
5. Milk of Regret
6. Noose and Nail
7. Ghostflowers
8. Breed (Nirvana cover)
9. Eat the Children
10. Invisible
11. Home Grown
12. Communion
13. Andrenochrome Dreams

sexta-feira, agosto 31, 2007

Cuidado com o que você pede...

(Crônica de Luis Fernando Verissimo, retirada do livro "Sexo na cabeça")


Pô, Luana.
- Não chega nem perto.
- Mas estamos só você e eu nesta ilha. E estaremos aqui pelo resto das nossas vidas.
- Vai ler teu livro, vai. Você não disse que era o seu favorito?
- Mas eu já li o livro várias vezes.
- Então vai ouvir o teu disco e me deixa em paz.
- Com que aparelho? Nesta ilha não tem eletricidade. Nesta ilha não tem nada. Só coqueiros. E nós dois.
- A escolha foi sua. Ninguém me perguntou nada.
- Como é que eu ia saber que a pergunta não era hipotética? Que quando o cara me perguntou que livro, que disco e que mulher eu levaria para uma ilha deserta, não era pesquisa? Que ele ia interpretar não como sonho, mas como pedido?
- Você devia ter desconfiado do turbante.
- Se eu soubesse, teria pedido mantimentos. Enlatados, champanhe. Um gerador. Algum tipo de moradia, com som e mordomia. Talvez um bar. Sei lá. E 30 anos menos.
- Azar.
- Pô, Luana. Só um beijinho.
- Não-ô.
Passa o tempo. Eu e Luana Piovani conseguimos sobreviver na ilha deserta, mas a duras penas. Dada a nossa diferença de idades e de preparo físico, é ela que trepa nos coqueiros para pegar o coco e constrói a cabana rudimentar que nos abriga, com camas de capim separadas. Ela reluta, depois acaba sedendo aos meus insistentes pedidos e tira o sutiã, mas só para fazermos um anzol do fecho de metal. Conseguimos pegar alguns peixes, usando mariscos como isca. Como não temos fósforo, fazemos fogo usando o CD do Miles Davis com o Sonny Rollins e o Horace Silver para refletir a luz do sol num monte de gravetos e alimentando o fogo com as páginas de O grande Gatsby. Quando termina o papel, usamos capim seco, ou comemos o peixe cru mesmo. Improviso uma armadilha para roedores com o estojo de plástico do CD. Não pegamos nada. A ilha é tão deserta que não tem nem roedor. De noite, tento me aconchegar a Luana, para pelo menos nos protegermos do frio. Ela me repele.
- Não-ô.
Passam-se anos. Um dia, sinto a Luana mordiscando a minha orelha. Me afasto. Mesmo se quisesse alguma coisa com ela, não poderia. Estou anêmico e enfraquecido. A dieta de coco, peixe cru e água da chuva não me fez bem. E a Luana também está péssima. A roupa esfarrapada deixa entrever quase todo o seu corpo curtido pelo sol e o vento, mas eu nem olho mais. Ela insiste na orelha. Diz que já que estaremos lá para sempre e não tem remédio... Eu me recuso. Se estivéssemos em qualquer outro lugar e não lutando para sobreviver daquele jeito, talvez rolasse alguma coisa entre nós. Mas naquelas condições estressantes, numa ilha deserta... Pego o que sobrou de O grande Gatsby, as duas capas apodrecidas, e finjo que leio, para desencorajá-la.
- Pô, Luis Fernando.
- Azar - suspiro.

As I Lay Dying - An Ocean Between Us

Antes mesmo de ouvir "An Ocean Between Us" na íntegra, tive a oportunidade de escutar duas músicas previamente liberadas pela banda. Desde então, uma referência não me fugiu à cabeça: Luis Fernando Verrisimo advertindo certa vez para se ter "Cuidado com o que você pede...". Afinal, nem sempre o que se deseja, acontece conforme imaginado. Pois bem, o meu pedido era que o As I Lay Dying apresentasse um material novo (no sentido literal da coisa), mas, adivinhem, não aconteceu da forma que havia imaginado. "Frail Words Collapse" e "Shadows Are Security" me agradaram muito, e justamente por isso esperava que o novo disco fosse diferente, superior. Ainda assim, me surpreendi. E de uma forma bastante positiva, pois não contava com tamanha evolução. O primeiro contato que tive com o novo álbum, foi a audição de "Within Destruction". Levou algum tempo pra cair a ficha de que se tratava do AILD. O segredo dessa mudança? Vejamos... Adam Dutkiewicz (KSE) na produção; Phil Sgrosso e Nick Hipa trabalhando numa sonoridade mais aguda e entremeando solos aqui e alí; Tim Lambesis em relativa menor evidência; e Jordan Mancino simplesmente magnífico (reafirmando seu posto de um dos melhores bateras de metal da atualidade). Uma mudança bem menos drástica, foi a chegada de Josh Gilbert (This Endearing), que substitui Clint Norris nas suas duas funções. A semelhança entre os backing vocals de ambos pode fazer os mais desavisados pensarem que é Norris o dono das segundas vozes na faixa que dá nome ao disco e em mais 4 canções. "Separation" é um ótimo prelúdio para a primeira música de trabalho: "Nothing Left". A sequência das primeiras 4 faixas é matadora, e mostra que a banda redirecionou-se para o Trash Metal e o Metalcore, pondo um pouco de lado suas influências de Screamo. "A.O.B.U." mostra-se também carregado por uma atmosfera mais enegrecida e sombria do que nunca. O único ponto negativo, foi que infelizmente, deixaram a peteca cair (a energia das primeiras faixas não se faz presente em todo o restante do álbum). Guardo (sempre) a esperança de ver uma evolução ainda maior. Se bem que o dia que isso acontecer, o As I Lay Dying terá atingido a perfeição!


Nota: 9/10
Selo: Metal Blade
Data de lançamento: 21/08/07
Website: www.asilaydying.com/ /
www.myspace.com/asilaydying

Tracklist:
1. Separation
2. Nothing Left
3. An Ocean Between Us
4. Within Destruction
5. Forsaken
6. Comfort Betrays
7. I Never Wanted
8. Bury Us All
9. The Sound of Truth
10. Departed
11. Wrath Upon Ourselves
12. This Is Who We Are

sexta-feira, agosto 24, 2007

Queens of The Stone Age - Era Vulgaris

É certo que "Lullabies to Paralyse" deixou a desejar, principalmente para os admiradores mais fervorosos de "Songs for the Deaf". E isso pode ser explicado. No decorrer da história do Queens of the Stone Age, foram tantas as alterações na formação da banda, que o único integrante remanescente do primeiro registro até o mais recente, é o próprio Joshua Homme. Essas alterações, no entanto, não surtiam muito efeito na sonoridade do grupo. Isso até o último álbum citado, pois durante sua turnê, o polêmico Nick Oliveri e o ilustre Dave Grohl (o que já era esperado) juntaram suas trouxas e partiram. A saída destes dois músicos mexeu muito com o QOTSA. A sonoridade, desde "Lullabies to Paralyze" têm enveradado por ambientes cada vez mais introspectivos, sendo a maioria deles sombrios e psicodélicos. Felizmente, aquele leve toque de ironia e de sarcasmo, ainda se faz presente nas letras. Não só no conteúdo lírico, mas agora ainda mais evidente, a arte da capa também se encaixa nessa característica típica do grupo. "Era Vulgaris" trata, ao longo de suas 11 músicas, do presumível tema referente ao título do disco - a vulgarização que assola os tempos modernos. Logo nos primeiros segundos de "Turnin' on the Screw" experimentei uma sensação de alívio enorme ao sentir que aqueles acordes, a impressão digital da banda, estão bem vivos. Daí em diante, é só satisfação. "Sick, Sick, Sick", que juntamente com "3's and 7's" compõem as primeiras músicas de trabalho do disco, apresentam um dos melhores sons de guitarras do disco. "Make It Wit Chu" (Make IT With You!!!) é mais uma música a pregar peças nos ouvintes. Quem escuta até pensa que se trata de uma inocente canção de ninar, mas mal sabe que se trata mesmo é de um homem desejoso por sexo a qualquer custo (semelhanças com "Go With The Flow"?!). Como em qualquer obra do QOTSA, "Era Vulgaris" é muito rico, podendo ser analisado de várias maneiras. Portanto, não cabe aqui me extender. No que diz respeito à qualidade musical, me dou ao luxo de dizer que trata-se aqui de um ótimo disco, talvez até o terceiro ou segundo melhor dos caras. Mas ainda não foi dessa vez que "Songs for the Deaf" foi batido!

Nota: 8/10
Selo: Interscope
Data de lançamento: 12/06/07
Website: www.qotsa.com/ /
www.myspace.com/queensofthestoneage /

Tracklist:
1. Turnin' on the Screw
2. Sick, Sick, Sick
3. I'm Designer
4. Into the Hollow
5. Misfit Love
6. Battery Acid
7. Make It Wit Chu
8. 3's and 7's
9. Suture Up Your Future
10. River In The Road
11. Run, Pig, Run

sábado, agosto 18, 2007

Nodes Of Ranvier - Defined By Struggle

Música agressiva e rápida nos moldes atuais. Isso é "Defined By Struggle". Logo, não há de se esperar nada além disso dessses estadunidenses do Nodes of Ranvier (nome bastante inusitado, pois os chamados nódulos de Ranvier são estruturas componentes do sistema nervoso do organismo humano. Estranho não?!). Não há de se esperar nada além de "Sermon" também. A abertura serve de trailer do que está por vir. É complicado buscar uma razão para o motivo de, mesmo num contexto musical de demasiada repetição e até mesmo auto-plagio, bandas que insistem em dar murro em ponta de faca, ainda assim conseguem seu espaço e a chance de apresentarem seu trabalho. Uma análise aos moldes anatômicos sobre essa situação se faz totalmente necessária, pois a continuação desse panorama, pode acarretar inúmeras consequências, inclusive o fim irrevogável dessa e de várias outras vertentes musicais relacionadas. Se Kyle Benecke e sua trupe, em seu quarto trabalho, demonstram estar teimosamente dentro dessa panela de pressão, posso facilmente prever que o futuro da banda não é nada promissor. A falta de originalidade, no entanto, não necessariamente indica um álbum de baixa qualidade. O tratamento dado na gravação, a arte de capa, e o instrumental precisamente bem trabalhados atestam o nível do trabalho. Portanto, destaco "Purpose in Pain" e a faixa-título do álbum como as melhores músicas do disco. Mesmo agoniado com toda a situação exposta acima, o que faz meu coração doer de verdade, é ver que músicos competentes (a exemplo deste quinteto) concentram esforços, incansavelmente, em prol de um movimento musical, ao passo que "artistas", sem a menor vocação ou talento, banalizam a arte que é a música cantando sobre guarda-chuvas e afins. Esse mundo está perdido!

Nota: 6/10
Selo: Victory
Data de Lançamento: 24/07/07
Website: www.nodesofranvier.com/ /
www.myspace.com/nodesofranvier /

Tracklist:
1.Sermon
2.Valjean
3.Endless Faith
4.Purpose in Pain
5.Wrathbearer
6.Defined By Struggle
7.Archegos
8.SGT Sorrow
9.Naheenanajar
10.Confront
11.Infidelity

sábado, agosto 11, 2007

Shadows Fall - Threads of Life

Um dos maiores desafios de uma banda já consagrada é manter-se no topo, e o Shadows Fall sabe muito bem disso. Com 6 discos lançados e com as vendas destes chegando na casa das 700 mil cópias (só nos EUA), a carreira desses americanos de Massachusetts está de vento em popa. Devido ao profissionalismo e dedicação (que são marca registrada de todos os integrantes), ao longo desses doze anos de vida, a banda assegurou o seu nome no Hall da Fama do que se define por "New Wave of American Heavy Metal". Pois bem, é chegada a hora de criar novidades, visto que "Fallout From The War" de 2006, é apenas um compêndio de regravações e covers. Eis então o desafio que tiveram de encarar: lançar um álbum à altura do disco que catapultou a carreira desse quinteto, o "The Art Of Balance"; e principalmente, à altura também da sua divina obra-prima - "The War Within". A árdua tarefa atende pela alcunha de "Threads of Life". O balanço geral do trabalho resulta em dois aspectos opostos. O primeiro diz que "Sim", o S.F. se saiu bem no desafio. Do outro lado da balança, o segundo aspecto lamenta uma leve diferença dentro daquilo que a banda costumava apresentar recentemente - o que não chega a decepcionar ningúem. Esta inovação, contudo, não é de todo inesperada, pois os músicos sempre se empenharam, a cada lançamento, em não se repetirem. Houve uma preocupação muito clara, neste novo registro, com os acordes e melodias. Consequência disso são tanto as guitarras da magnífica dupla Jonathan Donais e Matt Bachand (mais limpas e nítidas) quanto os vocais de Brian Fair (cada vez mais só, e enveredando pelas mais distintas ambientações). "T.O.L." é um disco bastante equilibrado, portanto sem altos e baixos. Sobressaem-se as faixas "Burning The Lives", "Venomous", a melancólica "Another Hero Lost" e a primeira música de trabalho; "Redemption". Quem esperava um álbum ainda mais fantástico do que seus antecessores pode ter se frustrado, mas com certeza, teve uma audição de muito bom gosto.

Nota: 8/10
Selo: Atlantic
Data de lançamento: 03/04/2007
Website: www.shadowsfall.com/ /

Tracklist:
1.Redemption
2.Burning the Lives
3.Storm Winds
4.Failure of the Devout
5.Venomous
6.Another Hero Lost
7.Final Call
8.Dread Uprising
9.The Great Collapse
10.Just Another Nightmare
11.Forevermore

domingo, agosto 05, 2007

Wisdom In Chains - Class War

Hardcore no melhor sentido da palavra! É assim que se pode descrever este novo disco do Wisdom In Chains. Rapidez, peso e uma mensagem clara, sendo bem transmitida do começo ao fim. Era disso que a produção musical contemporânea desse estilo estava carente. O mercado já está saturado de bandas que mesclam o hardcore com outros subgêneros. Faltava aquela sonoridade que remontasse aos primeiros registros do surgimento dessa vertente. "Class War" vem então em boa hora para saciar os ouvidos mais sedentos por hardcore de raíz. O sucessor de "Die Young" de 2005, segue à risca a tradição e apresenta ao público 17 faixas, com nenhuma delas excedendo os 4 minutos de duração. Soma-se a isso, o fato de o disco transmitir uma atmosfera de show da banda. O clima ao vivo das faixas confere ao registro uma energia ininterrupta que não se desgasta em momento algum. Afinal, não havia de ser diferente: estamos tratando aqui de uma das bandas que, juntamente com os nova-iorquinos do Sick of It All, ainda mantêm acessa a chama do autêntico hardcore. A abertura do CD fica a cargo de "The Sound Of The End". Não fosse pelos sons de sirenes, buzinas e barulheiras do gênero, a faixa teria mais crédito. A tentativa de, com ajuda de sonoplastia, intensificar o clima caótico que justifica seu nome, não foi nada eficaz, pois simplesmente não há harmonia com o instrumental que surge logo em seguida. O outro ponto negativo do material, a meu ver, é o Grand Finale. Marcada por acordes simples de violão e uma batida comum, juntamente com a voz de Mad Joe Black que, definitivamente, não é para esse tipo de música, a faixa bônus faz por merecer o rótulo de descartável. São destaques positivos: "Early Grave" (com direito a um belíssimo solo de guitarra), "This Is Mine", a música-título do álbum e todo o restante. No geral, é energia pura muito bem distribuída em cerca de 38 minutos.

Nota: 8/10
Selo: Alveran
Data de Lançamento: 19/06/07
Website: www.myspace.com/wisdominchains

Tracklist:
01.The Sound Of The End
02.Early Grave
03.I Don't Care
04.Cap City
05.Class War
06.This Is Mine
07.My Promise
08.Living In A Fog
09.Killing Time
10.Life Isn't Fair
11.Horrible Crimes
12.No Smiles In The Ghetto
13.The Land Of Kings
14.No Justice For The Working Man
15.London Gospel
16.Violent Assault
17.Bonus Track

sábado, julho 21, 2007

Neaera - Armamentarium

Definitivamente, há um oceano entre a produção musical européia e a norte-americana. Analisado aqui, em primeira mão, esse terceiro álbum dos alemães do Neaera só vêm a confirmar essa disparidade. Nitidamente influenciado pelo Death/Trash Metal, além é claro do Hardcore, essa banda oriunda de Münster tem uma história, no mínimo, interessante. Fundada em 2003 como um projeto paralelo encabeçado pelo guitarrista solo Tobias Buck, o então The Ninth Gate visava redirecionar o que Buck andava produzindo na sua carreira musical. O que ninguém esperava, era que essa idéia fosse tão longe tão depressa. Com menos de um ano de existência, o grupo já dispunha de uma demo e ostentava um recém-assinado contrato com a gigante Metal Blade Records! O próximo passo seria a mudança de nome. Depois de muito lenga-lenga, The Ninth Gate tornou-se Neaera (alusão à mitologia grega). Em 2005 sai o debut da banda: “The Rising Tide Of Oblivion”. A partir de então começou a enxurrada de shows com os pesos-pesados do velho continente. Talvez tenha iniciado aí, do convívio com os conterrâneos do Heaven Shall Burn, uma certa sememlhança sonora entre as duas bandas. A 7 de Abril de 2006, o Neaera mostra ao mundo sua nova criação, “Let The Tempest Come”. Nesse novo disco, é notório o crescimento muscial de todos os integrantes, principalmente do vocalista Benjamin Hilleke. A ser lançado ainda em agosto do presente ano, "Armamentarium" vem para confirmar uma tendência peculiar, e também um tanto arriscada, do Neaera: um cd a cada ano! Cobrança da gravadora? Exigência dos próprios músicos? Anseio em mostrar serviço? Sinceramente, não sei. Fato mesmo é a evolução gradativa que a banda vem tendo a cada disco. "Spearheading The Spawn" é a faixa inicial desse trabalho. Trata-se de uma boa música, que apresenta um Neaera mais pesado do que nunca. Peca, no entanto, no longo 1'07" de repetição do mesmo riff. A música-título também merece destaque. Dessa vez, o crédito vai para todo o grupo por igual. Fica evidente aí o caráter de equipe da banda. Contudo, desse ponto em diante, o álbum adquire uma linearidade (nenhuma inovação). É frustrante observar que uma banda tão promissora como esta trilha o caminho do insucesso (a repetição do que já é saturado). Talvez se dessem mais tempo entre um disco e outro, ou se enveredassem por outros caminhos, poderiam obter ainda mais sucesso. Talvez...

Nota: 7/10
Selo: Metal Blade
Data de lançamento: 24/08/07
Website: http://www.neaera.com/ /
www.myspace.com/neaera

Tracklist:
01.Spearheading The Spawn
02.Tools of Greed
03.Armamentarium
04.Synergy
05.Harbinger
06.In Loss
07.The Orphaning
08.The Escape From Escapism
09.Mutiny of Untamed Minds
10.The Need For Pain
11.Liberation