sexta-feira, agosto 31, 2007

Cuidado com o que você pede...

(Crônica de Luis Fernando Verissimo, retirada do livro "Sexo na cabeça")


Pô, Luana.
- Não chega nem perto.
- Mas estamos só você e eu nesta ilha. E estaremos aqui pelo resto das nossas vidas.
- Vai ler teu livro, vai. Você não disse que era o seu favorito?
- Mas eu já li o livro várias vezes.
- Então vai ouvir o teu disco e me deixa em paz.
- Com que aparelho? Nesta ilha não tem eletricidade. Nesta ilha não tem nada. Só coqueiros. E nós dois.
- A escolha foi sua. Ninguém me perguntou nada.
- Como é que eu ia saber que a pergunta não era hipotética? Que quando o cara me perguntou que livro, que disco e que mulher eu levaria para uma ilha deserta, não era pesquisa? Que ele ia interpretar não como sonho, mas como pedido?
- Você devia ter desconfiado do turbante.
- Se eu soubesse, teria pedido mantimentos. Enlatados, champanhe. Um gerador. Algum tipo de moradia, com som e mordomia. Talvez um bar. Sei lá. E 30 anos menos.
- Azar.
- Pô, Luana. Só um beijinho.
- Não-ô.
Passa o tempo. Eu e Luana Piovani conseguimos sobreviver na ilha deserta, mas a duras penas. Dada a nossa diferença de idades e de preparo físico, é ela que trepa nos coqueiros para pegar o coco e constrói a cabana rudimentar que nos abriga, com camas de capim separadas. Ela reluta, depois acaba sedendo aos meus insistentes pedidos e tira o sutiã, mas só para fazermos um anzol do fecho de metal. Conseguimos pegar alguns peixes, usando mariscos como isca. Como não temos fósforo, fazemos fogo usando o CD do Miles Davis com o Sonny Rollins e o Horace Silver para refletir a luz do sol num monte de gravetos e alimentando o fogo com as páginas de O grande Gatsby. Quando termina o papel, usamos capim seco, ou comemos o peixe cru mesmo. Improviso uma armadilha para roedores com o estojo de plástico do CD. Não pegamos nada. A ilha é tão deserta que não tem nem roedor. De noite, tento me aconchegar a Luana, para pelo menos nos protegermos do frio. Ela me repele.
- Não-ô.
Passam-se anos. Um dia, sinto a Luana mordiscando a minha orelha. Me afasto. Mesmo se quisesse alguma coisa com ela, não poderia. Estou anêmico e enfraquecido. A dieta de coco, peixe cru e água da chuva não me fez bem. E a Luana também está péssima. A roupa esfarrapada deixa entrever quase todo o seu corpo curtido pelo sol e o vento, mas eu nem olho mais. Ela insiste na orelha. Diz que já que estaremos lá para sempre e não tem remédio... Eu me recuso. Se estivéssemos em qualquer outro lugar e não lutando para sobreviver daquele jeito, talvez rolasse alguma coisa entre nós. Mas naquelas condições estressantes, numa ilha deserta... Pego o que sobrou de O grande Gatsby, as duas capas apodrecidas, e finjo que leio, para desencorajá-la.
- Pô, Luis Fernando.
- Azar - suspiro.

As I Lay Dying - An Ocean Between Us

Antes mesmo de ouvir "An Ocean Between Us" na íntegra, tive a oportunidade de escutar duas músicas previamente liberadas pela banda. Desde então, uma referência não me fugiu à cabeça: Luis Fernando Verrisimo advertindo certa vez para se ter "Cuidado com o que você pede...". Afinal, nem sempre o que se deseja, acontece conforme imaginado. Pois bem, o meu pedido era que o As I Lay Dying apresentasse um material novo (no sentido literal da coisa), mas, adivinhem, não aconteceu da forma que havia imaginado. "Frail Words Collapse" e "Shadows Are Security" me agradaram muito, e justamente por isso esperava que o novo disco fosse diferente, superior. Ainda assim, me surpreendi. E de uma forma bastante positiva, pois não contava com tamanha evolução. O primeiro contato que tive com o novo álbum, foi a audição de "Within Destruction". Levou algum tempo pra cair a ficha de que se tratava do AILD. O segredo dessa mudança? Vejamos... Adam Dutkiewicz (KSE) na produção; Phil Sgrosso e Nick Hipa trabalhando numa sonoridade mais aguda e entremeando solos aqui e alí; Tim Lambesis em relativa menor evidência; e Jordan Mancino simplesmente magnífico (reafirmando seu posto de um dos melhores bateras de metal da atualidade). Uma mudança bem menos drástica, foi a chegada de Josh Gilbert (This Endearing), que substitui Clint Norris nas suas duas funções. A semelhança entre os backing vocals de ambos pode fazer os mais desavisados pensarem que é Norris o dono das segundas vozes na faixa que dá nome ao disco e em mais 4 canções. "Separation" é um ótimo prelúdio para a primeira música de trabalho: "Nothing Left". A sequência das primeiras 4 faixas é matadora, e mostra que a banda redirecionou-se para o Trash Metal e o Metalcore, pondo um pouco de lado suas influências de Screamo. "A.O.B.U." mostra-se também carregado por uma atmosfera mais enegrecida e sombria do que nunca. O único ponto negativo, foi que infelizmente, deixaram a peteca cair (a energia das primeiras faixas não se faz presente em todo o restante do álbum). Guardo (sempre) a esperança de ver uma evolução ainda maior. Se bem que o dia que isso acontecer, o As I Lay Dying terá atingido a perfeição!


Nota: 9/10
Selo: Metal Blade
Data de lançamento: 21/08/07
Website: www.asilaydying.com/ /
www.myspace.com/asilaydying

Tracklist:
1. Separation
2. Nothing Left
3. An Ocean Between Us
4. Within Destruction
5. Forsaken
6. Comfort Betrays
7. I Never Wanted
8. Bury Us All
9. The Sound of Truth
10. Departed
11. Wrath Upon Ourselves
12. This Is Who We Are

sexta-feira, agosto 24, 2007

Queens of The Stone Age - Era Vulgaris

É certo que "Lullabies to Paralyse" deixou a desejar, principalmente para os admiradores mais fervorosos de "Songs for the Deaf". E isso pode ser explicado. No decorrer da história do Queens of the Stone Age, foram tantas as alterações na formação da banda, que o único integrante remanescente do primeiro registro até o mais recente, é o próprio Joshua Homme. Essas alterações, no entanto, não surtiam muito efeito na sonoridade do grupo. Isso até o último álbum citado, pois durante sua turnê, o polêmico Nick Oliveri e o ilustre Dave Grohl (o que já era esperado) juntaram suas trouxas e partiram. A saída destes dois músicos mexeu muito com o QOTSA. A sonoridade, desde "Lullabies to Paralyze" têm enveradado por ambientes cada vez mais introspectivos, sendo a maioria deles sombrios e psicodélicos. Felizmente, aquele leve toque de ironia e de sarcasmo, ainda se faz presente nas letras. Não só no conteúdo lírico, mas agora ainda mais evidente, a arte da capa também se encaixa nessa característica típica do grupo. "Era Vulgaris" trata, ao longo de suas 11 músicas, do presumível tema referente ao título do disco - a vulgarização que assola os tempos modernos. Logo nos primeiros segundos de "Turnin' on the Screw" experimentei uma sensação de alívio enorme ao sentir que aqueles acordes, a impressão digital da banda, estão bem vivos. Daí em diante, é só satisfação. "Sick, Sick, Sick", que juntamente com "3's and 7's" compõem as primeiras músicas de trabalho do disco, apresentam um dos melhores sons de guitarras do disco. "Make It Wit Chu" (Make IT With You!!!) é mais uma música a pregar peças nos ouvintes. Quem escuta até pensa que se trata de uma inocente canção de ninar, mas mal sabe que se trata mesmo é de um homem desejoso por sexo a qualquer custo (semelhanças com "Go With The Flow"?!). Como em qualquer obra do QOTSA, "Era Vulgaris" é muito rico, podendo ser analisado de várias maneiras. Portanto, não cabe aqui me extender. No que diz respeito à qualidade musical, me dou ao luxo de dizer que trata-se aqui de um ótimo disco, talvez até o terceiro ou segundo melhor dos caras. Mas ainda não foi dessa vez que "Songs for the Deaf" foi batido!

Nota: 8/10
Selo: Interscope
Data de lançamento: 12/06/07
Website: www.qotsa.com/ /
www.myspace.com/queensofthestoneage /

Tracklist:
1. Turnin' on the Screw
2. Sick, Sick, Sick
3. I'm Designer
4. Into the Hollow
5. Misfit Love
6. Battery Acid
7. Make It Wit Chu
8. 3's and 7's
9. Suture Up Your Future
10. River In The Road
11. Run, Pig, Run

sábado, agosto 18, 2007

Nodes Of Ranvier - Defined By Struggle

Música agressiva e rápida nos moldes atuais. Isso é "Defined By Struggle". Logo, não há de se esperar nada além disso dessses estadunidenses do Nodes of Ranvier (nome bastante inusitado, pois os chamados nódulos de Ranvier são estruturas componentes do sistema nervoso do organismo humano. Estranho não?!). Não há de se esperar nada além de "Sermon" também. A abertura serve de trailer do que está por vir. É complicado buscar uma razão para o motivo de, mesmo num contexto musical de demasiada repetição e até mesmo auto-plagio, bandas que insistem em dar murro em ponta de faca, ainda assim conseguem seu espaço e a chance de apresentarem seu trabalho. Uma análise aos moldes anatômicos sobre essa situação se faz totalmente necessária, pois a continuação desse panorama, pode acarretar inúmeras consequências, inclusive o fim irrevogável dessa e de várias outras vertentes musicais relacionadas. Se Kyle Benecke e sua trupe, em seu quarto trabalho, demonstram estar teimosamente dentro dessa panela de pressão, posso facilmente prever que o futuro da banda não é nada promissor. A falta de originalidade, no entanto, não necessariamente indica um álbum de baixa qualidade. O tratamento dado na gravação, a arte de capa, e o instrumental precisamente bem trabalhados atestam o nível do trabalho. Portanto, destaco "Purpose in Pain" e a faixa-título do álbum como as melhores músicas do disco. Mesmo agoniado com toda a situação exposta acima, o que faz meu coração doer de verdade, é ver que músicos competentes (a exemplo deste quinteto) concentram esforços, incansavelmente, em prol de um movimento musical, ao passo que "artistas", sem a menor vocação ou talento, banalizam a arte que é a música cantando sobre guarda-chuvas e afins. Esse mundo está perdido!

Nota: 6/10
Selo: Victory
Data de Lançamento: 24/07/07
Website: www.nodesofranvier.com/ /
www.myspace.com/nodesofranvier /

Tracklist:
1.Sermon
2.Valjean
3.Endless Faith
4.Purpose in Pain
5.Wrathbearer
6.Defined By Struggle
7.Archegos
8.SGT Sorrow
9.Naheenanajar
10.Confront
11.Infidelity

sábado, agosto 11, 2007

Shadows Fall - Threads of Life

Um dos maiores desafios de uma banda já consagrada é manter-se no topo, e o Shadows Fall sabe muito bem disso. Com 6 discos lançados e com as vendas destes chegando na casa das 700 mil cópias (só nos EUA), a carreira desses americanos de Massachusetts está de vento em popa. Devido ao profissionalismo e dedicação (que são marca registrada de todos os integrantes), ao longo desses doze anos de vida, a banda assegurou o seu nome no Hall da Fama do que se define por "New Wave of American Heavy Metal". Pois bem, é chegada a hora de criar novidades, visto que "Fallout From The War" de 2006, é apenas um compêndio de regravações e covers. Eis então o desafio que tiveram de encarar: lançar um álbum à altura do disco que catapultou a carreira desse quinteto, o "The Art Of Balance"; e principalmente, à altura também da sua divina obra-prima - "The War Within". A árdua tarefa atende pela alcunha de "Threads of Life". O balanço geral do trabalho resulta em dois aspectos opostos. O primeiro diz que "Sim", o S.F. se saiu bem no desafio. Do outro lado da balança, o segundo aspecto lamenta uma leve diferença dentro daquilo que a banda costumava apresentar recentemente - o que não chega a decepcionar ningúem. Esta inovação, contudo, não é de todo inesperada, pois os músicos sempre se empenharam, a cada lançamento, em não se repetirem. Houve uma preocupação muito clara, neste novo registro, com os acordes e melodias. Consequência disso são tanto as guitarras da magnífica dupla Jonathan Donais e Matt Bachand (mais limpas e nítidas) quanto os vocais de Brian Fair (cada vez mais só, e enveredando pelas mais distintas ambientações). "T.O.L." é um disco bastante equilibrado, portanto sem altos e baixos. Sobressaem-se as faixas "Burning The Lives", "Venomous", a melancólica "Another Hero Lost" e a primeira música de trabalho; "Redemption". Quem esperava um álbum ainda mais fantástico do que seus antecessores pode ter se frustrado, mas com certeza, teve uma audição de muito bom gosto.

Nota: 8/10
Selo: Atlantic
Data de lançamento: 03/04/2007
Website: www.shadowsfall.com/ /

Tracklist:
1.Redemption
2.Burning the Lives
3.Storm Winds
4.Failure of the Devout
5.Venomous
6.Another Hero Lost
7.Final Call
8.Dread Uprising
9.The Great Collapse
10.Just Another Nightmare
11.Forevermore

domingo, agosto 05, 2007

Wisdom In Chains - Class War

Hardcore no melhor sentido da palavra! É assim que se pode descrever este novo disco do Wisdom In Chains. Rapidez, peso e uma mensagem clara, sendo bem transmitida do começo ao fim. Era disso que a produção musical contemporânea desse estilo estava carente. O mercado já está saturado de bandas que mesclam o hardcore com outros subgêneros. Faltava aquela sonoridade que remontasse aos primeiros registros do surgimento dessa vertente. "Class War" vem então em boa hora para saciar os ouvidos mais sedentos por hardcore de raíz. O sucessor de "Die Young" de 2005, segue à risca a tradição e apresenta ao público 17 faixas, com nenhuma delas excedendo os 4 minutos de duração. Soma-se a isso, o fato de o disco transmitir uma atmosfera de show da banda. O clima ao vivo das faixas confere ao registro uma energia ininterrupta que não se desgasta em momento algum. Afinal, não havia de ser diferente: estamos tratando aqui de uma das bandas que, juntamente com os nova-iorquinos do Sick of It All, ainda mantêm acessa a chama do autêntico hardcore. A abertura do CD fica a cargo de "The Sound Of The End". Não fosse pelos sons de sirenes, buzinas e barulheiras do gênero, a faixa teria mais crédito. A tentativa de, com ajuda de sonoplastia, intensificar o clima caótico que justifica seu nome, não foi nada eficaz, pois simplesmente não há harmonia com o instrumental que surge logo em seguida. O outro ponto negativo do material, a meu ver, é o Grand Finale. Marcada por acordes simples de violão e uma batida comum, juntamente com a voz de Mad Joe Black que, definitivamente, não é para esse tipo de música, a faixa bônus faz por merecer o rótulo de descartável. São destaques positivos: "Early Grave" (com direito a um belíssimo solo de guitarra), "This Is Mine", a música-título do álbum e todo o restante. No geral, é energia pura muito bem distribuída em cerca de 38 minutos.

Nota: 8/10
Selo: Alveran
Data de Lançamento: 19/06/07
Website: www.myspace.com/wisdominchains

Tracklist:
01.The Sound Of The End
02.Early Grave
03.I Don't Care
04.Cap City
05.Class War
06.This Is Mine
07.My Promise
08.Living In A Fog
09.Killing Time
10.Life Isn't Fair
11.Horrible Crimes
12.No Smiles In The Ghetto
13.The Land Of Kings
14.No Justice For The Working Man
15.London Gospel
16.Violent Assault
17.Bonus Track

sábado, julho 21, 2007

Neaera - Armamentarium

Definitivamente, há um oceano entre a produção musical européia e a norte-americana. Analisado aqui, em primeira mão, esse terceiro álbum dos alemães do Neaera só vêm a confirmar essa disparidade. Nitidamente influenciado pelo Death/Trash Metal, além é claro do Hardcore, essa banda oriunda de Münster tem uma história, no mínimo, interessante. Fundada em 2003 como um projeto paralelo encabeçado pelo guitarrista solo Tobias Buck, o então The Ninth Gate visava redirecionar o que Buck andava produzindo na sua carreira musical. O que ninguém esperava, era que essa idéia fosse tão longe tão depressa. Com menos de um ano de existência, o grupo já dispunha de uma demo e ostentava um recém-assinado contrato com a gigante Metal Blade Records! O próximo passo seria a mudança de nome. Depois de muito lenga-lenga, The Ninth Gate tornou-se Neaera (alusão à mitologia grega). Em 2005 sai o debut da banda: “The Rising Tide Of Oblivion”. A partir de então começou a enxurrada de shows com os pesos-pesados do velho continente. Talvez tenha iniciado aí, do convívio com os conterrâneos do Heaven Shall Burn, uma certa sememlhança sonora entre as duas bandas. A 7 de Abril de 2006, o Neaera mostra ao mundo sua nova criação, “Let The Tempest Come”. Nesse novo disco, é notório o crescimento muscial de todos os integrantes, principalmente do vocalista Benjamin Hilleke. A ser lançado ainda em agosto do presente ano, "Armamentarium" vem para confirmar uma tendência peculiar, e também um tanto arriscada, do Neaera: um cd a cada ano! Cobrança da gravadora? Exigência dos próprios músicos? Anseio em mostrar serviço? Sinceramente, não sei. Fato mesmo é a evolução gradativa que a banda vem tendo a cada disco. "Spearheading The Spawn" é a faixa inicial desse trabalho. Trata-se de uma boa música, que apresenta um Neaera mais pesado do que nunca. Peca, no entanto, no longo 1'07" de repetição do mesmo riff. A música-título também merece destaque. Dessa vez, o crédito vai para todo o grupo por igual. Fica evidente aí o caráter de equipe da banda. Contudo, desse ponto em diante, o álbum adquire uma linearidade (nenhuma inovação). É frustrante observar que uma banda tão promissora como esta trilha o caminho do insucesso (a repetição do que já é saturado). Talvez se dessem mais tempo entre um disco e outro, ou se enveredassem por outros caminhos, poderiam obter ainda mais sucesso. Talvez...

Nota: 7/10
Selo: Metal Blade
Data de lançamento: 24/08/07
Website: http://www.neaera.com/ /
www.myspace.com/neaera

Tracklist:
01.Spearheading The Spawn
02.Tools of Greed
03.Armamentarium
04.Synergy
05.Harbinger
06.In Loss
07.The Orphaning
08.The Escape From Escapism
09.Mutiny of Untamed Minds
10.The Need For Pain
11.Liberation

Questions - Fight For What You Believe

Sem dúvida alguma, o Questions é um dos maiores expoentes da cena do hardcore/metal de São Paulo. O patamar que esta banda alcançou nestes longos e árduos 7 anos de existência é inegável. Em 2004, o disco "Resista!" causou um derradeiro estrago (no ótimo sentido, claro!) no cenário do rock nacional. O registro rendeu ótimas críticas e vários shows memoráveis. Quase 3 anos depois, o Questions apresenta "Fight For What You Believe". O disco é o resultado de uma série de decisões acertadas, entre elas: todo o universo que envolveu a gravação do trabalho; a mudança de gravadora, que possibilitou maior alcance na divulgação; e a escolha das participações especiais - Sílvio Golfetti (Korzus) e Iggor Cavalera (que dispensa apresentações). Como de costume, este novo material conta com uma faixa multimídia (o documentário da participação do lendário baterista). Quem acompanha a banda, notará uma certa diferença nesse novo Questions. Não é pra menos, afinal ainda em 2004, Fabio Akio (baixo) e Nery Mello (bateria), deram lugar, respectivamente, à Marcelo Papa e Eduardo Akira. A alteração no line-up surtiu efeito notório. Akira passou a conferir mais constância e nitidez às levadas, e Papa deu mais corpo ao som. Pablo Menna parece ter tirado um pouco "o pé do acelerador" em algumas passagens, a exemplo de "Servant" e "Justice", fato que acaba sendo contraposto com a audição de "Forsaken Values","Loyal Front" e da ótima "Feed the Machine". Já no âmbito dos vocais, Eduardo Andrade mostra uma maturação e tanto da sua técnica. Neste novo álbum, o cantor mostra uma vocalização bastante enérgica e bem trabalhada. Como produto de todas essas transformações, está um disco balanceado na medida certa, e até com certas experimentações - a música "Conscience" gravada em duas versões diferentes, e a faixa "Hear Nothing, See Nothing, Say Nothing" que apresenta um solo de guitarra virtuoso - algo raro quando se trata de "Metalcore". Graças à competência da banda, o novo disco conseguiu atender à expectativa gerada pelo registro antecessor, recheado de músicas excelentes como "True Brotherhood","Strength" e "No Surrender". O único ponto negativo a ser mencionado, é a triste realidade do mercado da música. Enquanto que em países desenvolvidos é comum o fato de bandas medíocres assinarem contrato com gravadoras de boa distribuição, nos países de terceiro mundo, bandas de altíssima qualidade trilham caminhos tortuosos para conseguirem assinar contratos muito menos expressivos, isso quando a dificuldade não acaba por sentenciar o fim dessas bandas. É diante desse panorama que eu expresso minha total admiração pelo Questions, banda que sempre resistiu às adversidades da estrada, e que sempre continuará lutando pelo que acredita.

Nota: 10/10
Selo: Liberation
Data de lançamento: 2007
Website: www.questions.com.br/ /
www.fotolog.com/questionscrew /
www.myspace.com/questions /

Tracklist:
01.Intro
02.Conscience
03.Feed the Machine
04.Justice
05.Servant
06.Forsaken Values
07.Hard Way
08.Never Back Down
09.Downfall
10.Hear Nothing, See Nothing, Say Nothing (com Sílvio Golfetti)
11.Loyal Front
12.Conscience (com Iggor Cavalera)

Damnation A.D. - In This Life Or The Next

"In This Life Or The Next" marca a volta dos americanos do Damnation A.D. após um longo hiato de 8 anos. Ainda desconhecida no Brasil, a banda é venerada em sua terra natal como uma das verdadeiras lendas-vivas do hardcore undergroud. Chega a ser inesperado, mas curiosamente mesmo após esse tempo todo na "geladeira", a banda parece ter evoluído musicalmente. A percepção desse progresso se dá instantaneamente logo nos primeiros instantes da audição do disco."Exspecta Taut Abyssus",uma introdução com um clima de suspense crescente, tem seu fim com a porrada logo de cara de "Knot" (méritodos riffs devastadores do guitarrista Ken Olden e das batidas precisas de Colin Kercz). A mescla dessas duas músicas é perfeita."Let Me In", a quarta faixa, é também instigante. Mais adiante, o ouvinte pode até cantar o refrão de "If you Could Remember" sem se dar conta, pois trata-se daquela baladinha Hardcore bem executada e contagiante que não sai da cabeça. Têm-se então a sensação de um disco cheio, direto e muito bem produzido. No entanto, o desenrolar dessa audição vai gerando lentamente uma sensação de Déjà-Vu e o ouvinte pode até nutrir uma certa frustração por ter esperado um disco com um peso mais constante, já que esse novo trabalho é marcado por alguns "buracos", como em "Jigsaw" e em certas passagens de "The Hangedman". Já os vocais de Michael McTernan não deixam nada a desejar, são destaque ao longo de todo o disco, por serem totalmente viscerais e bem trabalhados (vagamente ao estilo do frontman do Venom). Ao final do disco fica no ar a pergunta: estaria o DAD batendo na mesma tecla das bandas do chamado "Metalcore" atual, ou estariam eles - um dos propulsores dessa nova leva de bandas - fazendo apenas o que sempre fizeram e por isso mesmo, sendo copiados? Por fim,"I.T.L.O.T.N." é bem executado e com uma proposta boa; mesclar as raízes do punk com metal extremo - o que resulta numa atmosfera interessantemente sombria. Porém, é um álbum apenas razoável, que à parte da evolução do grupo, não saiu da mesmice.

Nota: 7/10
Selo: Victory Records
Data de Lançamento: 12/06/07
Website: www.damnationad.com/ /
www.myspace.com/damnationad /

Tracklist:
1. Exspecta Taut Abyssus
2. Knot
3. Don't Feel A Thing
4. Let Me In
5. Jigsaw
6. The Hangedman
7. If You Could Remember
8. Consider This A Warning
9. Rain As My Veil
10. Addiction
11. Jigsaw Reprise
12. In This Life Or The Next