domingo, junho 22, 2008

P.O.D. - When Angels And Serpents Dance

Os californianos do P.O.D. apresentam ao mundo sua nova criação: "When Angels And Serpents Dance", o 7º disco de estúdio da carreira. O novo registro marca a volta de Marcos Curiel, que apesar de ter retornado à banda ainda em 2006, não gravou em "Testify". Nesta nova obra verifica-se que os integrantes buscaram a composição de músicas mais coerentes com a maturidade de vida que atingiram, deixando de lado, assim, muito daquilo que os caracterizou como "cabeças" do movimento New Metal. O próprio Sonny abriu mão do legado de sua vida "das ruas", seus dreadlocks. O que pode parecer apenas questão de estética tem motivação comum à atual estruturação sonora da banda: não há razão para continuar no velho "de sempre". Certos elementos, contudo, haveriam de se manter, como o reggae ("I'll Be Ready") e as participações especiais (Mike Muir, Page Hamilton e as Marley Sisters). O eixo temático do novo Payable On Death é baseado na dualidade do bem versus o mal. Aqui, a vida é uma eterna valsa, onde anjos e serpentes dançam juntos. Se por um lado existem as coias belas e boas da vida ("Shine With Me"), do outro lado estão os fatos amargurantes e indesejáveis dela ("End Of The World"). Ainda que de qualidade muito distante do digníssimo "Satellite", o saldo geral de "When Angels And Serpents Dance" é positivo, e o grande destaque da obra ficou por conta da música que dá nome ao disco. Poderiam ter feito algo melhor. Só nos resta agora rezar por discos ainda melhores no futuro.

Nota: 7/10
Selo: Columbia
Data de lançamento: 08/04/2008
Website: www.payableondeath.com/ /
www.myspace.com/payableondeath

Tracklist:
01. Addicted
02. Shine With Me
03. Condescending
04. It Can't Rain Everyday
05. Kaliforn-Eye-A (feat. Mike Muir of Suicidal Tendencies)
06. I'll Be Ready (feat. Cedella and Sharon Marley)
07. End Of The World
08. This Ain't No Ordinary Love Song
09. God Forbid (feat. Page Hamilton of Helmet)
10. Roman Empire
11. When Angels & Serpents Dance
12. Tell Me Why
13. Rise Against

segunda-feira, março 31, 2008

Illdisposed - The Prestige

Se existe algo, que dentro da música, se aproxima bastante de ser uma regra, é a influência que a produção característica da cena de um determinado lugar, exerce na sonoridade das bandas deste local. Obviamente existem exceções - o que não é o caso do disco em questão. Oriundos da Escandinávia, mais precisamente de Aahrus, na Dinamarca, os veteranos do Illdisposed (i-L-L...) presenteiam os admiradores de metal nórdico com um exímio exemplar de...metal nórdico! "The Prestige", o sucessor do aclamado "Burn Me Wicked", é o primeiro álbum via AFM Records, e o décimo full lengh do grupo! Ao contrário dos registros de 2006 e 2004, o novo lançamento abriu mão de qualquer descaracterização do estilo praticado pela banda. Neste sentido, não há, em nenhum momento do disco, o uso de sintetizadores e samplers. A palavra de ordem de "The Prestige" é a crueza e a força do Death Metal escandinavo tradicional. Assim, Bo Summer não dá descansso ao ouvinte, massacrando (no bom sentido) seus tímpanos com urros bestiais e vocalizações guturais, que jamais se amaciam. A dupla Jakob Batten e Franz Hellboss realiza um trabalho interessante, bem coordenado e dinâmico, apresentando alguns belos solos, como em "Weak Is Your God" e "A Child Is Missing". Jonas Kloge e Thomas Jensen mostram-se peças fundamentais na montagem da obra. Porém, Jensen é posto em uma nítida maior evidência ante Loge, tendo em vista seu incansável trabalho com o bumbo duplo. Todavia, não é dos mais rápidos e impactantes verificados dentro desse gênero de música extrema. Em virtude do fato de "The Prestige" se caracterizar por músicas muito semelhantes, existe a dificuldade de se destacar alguma faixa do disco. Ainda assim, merecem atenção: "The Tension" e "Like Cancer". Fica evidente, portanto, o esforço que o Illdiposed empreendeu ao tentar conciliar a "volta às raízes" com a impressão concomitante de sua indentidade sonora. Entretanto, aquele tempero aplicado aos ingredientes presentes nos discos da década de 90 parece ter desaparecido com o tempo, e ainda não fora encontrado.

Nota: 8/10
Selo: AFM
Data de lançamento: 28/03/2008
Website: www.illdisposed.dk/ /
www.myspace.com/illdisposed

Tracklist:
1. Let Go
2. The Tension
3. Weak Is Your God
4. Working Class Zero
5. A Song Of Myself
6. Like Cancer
7. Love Is Tasted Bitter
8. She Knows
9. A Child Is Missing
10. The Key To My Salvation
11. ...Your Devoted Slave
12. Ich Bin Verloren In Berlin

sexta-feira, março 21, 2008

Enne - Nômade

Minas Gerais é o berço de um sem-número de bandas (de altíssima qualidade), há de se convir. Representado a nova safra da cena mineira, está o Enne. Formado há 7 anos atrás, o grupo mantém basicamente a mesma formação desde o início de sua história, tendo havido apenas a troca do ex-baixista Rafa pelo atual Luciano. De lá pra cá, já foram lançados três materiais (duas demos e o debut "Momentum" em 2004). O disco de estréia já mostrava um grupo com uma identidade sonora firme, marcando presença em melodias contagiantes e em refrões "chiclete". A repercussão desse registro rendeu ao quarteto de Belo Horizonte, participação nos principais festivais nacionais de música independente, e ainda, o prêmio London Burning na categoria Revelação, em 2005! A ser lançado oficialmente amanhã, "Nômade" é o segundo álbum da banda. Nesse novo disco, o Enne inovou radicalmente: as letras que antes eram em inglês, agora estão em português. A mudança de idioma fez as músicas soarem muito mais verdadeiras e sinceras, desempenhando bem o seu papel de catarse de emoções. O grupo também redirecionou, sutilmente, sua sonoridade, outrora marcada por pitadas de hardcore melódico, para um universo mais focado no rock alternativo. O trabalho dos guitarristas oscila entre acordes encorpados (como em "Ao acaso"), e melodias expansivas, a exemplo da faixa mais comovente de todas: "Entre dois nós". Os vocais afinadíssimos e marcantes de Jay ficaram perfeitamente encaixados em "Lugar comum", e o músico soube também dividir os refrões de "O melhor que consegui" com Rodrigo Lima (Dead Fish) de forma sincronizada. No quesito conjunto, a banda sagrou-se coesa, uma vez que o notório entrosamento entre Cacau e Luciano ajudou bastante nesse sentido. Os destaques dessa obra vão para o todo: a composição das músicas; a qualidade da gravação; e a impagável arte gráfica do álbum. Trocando em miúdos: o Enne conseguiu manter as características positivas de "Momentum", ampliou-as e inseriu novos elementos que aperfeiçoaram o som da banda. Como todo grande álbum, "Nômade" exige uma ocasião especial para ser apreciado, de certa forma. É ideal para momentos reflexivos e intimistas, onde o ouvinte esteja aberto a ponderações sobre seus sentimentos e suas perspectivas de vida. Afinal, nunca se sabe realmente para onde as estradas nos levarão.

Nota: 9/10
Selo: 53 HC
Data de lançamento: 29/03/2008
Website: www.enne.com.br/ /
www.myspace.com/enne

Tracklist:
1.Ao Acaso
2.Lugar Comum
3.O Melhor Que Consegui
4.Alguma Paz
5.Por Um Segundo
6.Se
7.Mais Uma Vez
8.Entre Dois Nós
9.Insustentável
10.Visceral
11.Por Si Só
12.Evitado

quinta-feira, março 20, 2008

Fight Amp - Hungry For Nothing

West Berlin, New Jersey, Estados Unidos. Esta é a origem do Fight Amp (anteriormente conhecido como Fight Amputation), banda que lançou no mês passado o seu debut "Hungry For Nothing" via Translation Loss Records. A concepção de sonoridade que se propõem a fazer é bastante interessante: uma salada elementos que vão do Grunge, passando pelo Metal, e terminando no Punk e no Hardcore. O que se verifica, no entanto, é um resultado medíocre. Ainda que instrumentalmente bem executado, o álbum está repleto de falhas graves. O vocal está relegado a terceiro plano (algo como vozes do além) e é muito mal explorado (baseado numa mesma esganicidade incessante, que com o tempo irrita); as guitarras estão muito altas, os riffs são idênticos, e não há qualquer uso otimizado dos pedais, havendo uma única distorção em todo o disco (!); o contra-baixo é mero coadjuvante (seguidor de bumbo); a bateria marca a mesma e sem graça quebrada de ritmo (usando simultaneamente o chimbal, caixa e bumbo, seguido do uso de pratos de ataque, no mesmo processo) simplesmente em todas as músicas e o tempo inteiro, gerando uma sensação de vagareza do tempo, uma espécie de transe temporal, fazendo com que os pouco mais de 30 minutos do registro pareçam penosamente muito mais longos. "Hungry For Nothing" é uma exemplar tortura auditiva! Ouçam a faixa-abertura com o título redundante de "Dead Is Dead" e já saberão o que estará por vir. Há de se frisar, todavia, uma única qualidade perceptível desse álbum: o seu potencial performático. Ainda que seja um martírio ouví-lo, a execução destas músicas no palco tem grandes chances de ser muito bem sucedida. Cabe, portanto, a seguinte pergunta: valeu, de fato, o sacrifício do Fight Amp em ter dispendido tempo e empenho na criação de um álbum medíocre, de vez que poderia ter direcionado melhor suas forças no que pode lhe render melhores resultados: os shows?

Nota: 2/10
Selo: Translation Loss
Data de lançamento: 19/02/2008
Website: www.fightamputation.com/ /
www.myspace.com/fightamp

Tracklist:
1. Dead Is Dead
2. Late Bloomer
3. What a Drag
4. Samhain
5. Lungs
6. Bound And Hagged
7. Get High And Fuck
8. Dumb Luck

terça-feira, março 11, 2008

Trigger The Bloodshed - Purgation

O presente ano tem sido extremamente receptivo a novas bandas. Já é bastante considerável a quantidade de lançamentos dos primeiros full lenghs de vários grupos ao redor do mundo até o momento. Incorporando essa avalanche de novidades, estão os britânicos do Trigger The Bloodshed apresentando o seu debut, "Purgation". Diferentemente de alguns fracassos, essa é uma banda nova (literalmente, pois tem apenas 1 ano de existência, e o seu baterista apenas 15!) de extrema qualidade. Apesar da pouca idade, estes rapazes mostram uma maturidade sonora atípica, evidenciada na forma com que executam um Death Metal roots impecável, mesclado a pitadas de grindcore. Produzido por Mark Daghorn (Cradle of Filth, Raging Speedhorn, Mendeed) e mixado por Karl Groom (Dragonforce, Threshold), o álbum recebeu acabamento sonoro fenomenal. A maestria com que Rob e Martyn se revezam para encher o som com riffs precisos e diretos, a destreza monstruosa do moleque Max "tirando leite de pedra" de seu drumkit e a encorpada dada pelo som grave do ex-baixista Jamie, concretiza a parte instrumental oferecendo um prato cheio a ser trabalhado pelo vocalista Char, que de modo algum decepciona, marcando presença com seu vocal gutural laçerante. Adjetivo, por sinal, muito bem empregado no título da primeira música de trabalho do disco (a 3ª faixa). Todas as composições do álbum estão muito bem equilibradas, encontrando-se num mesmo patamar. Seguindo esta lógica, a audição de qualquer uma delas aleatoriamente, traz um panorama geral do que é apreciado em pouco mais de meia hora de duração do disco, respeitando é claro, as peculiaridades de cada composição. Reafirmando o quão fiéis estes rapazes são ao estilo que executam, nenhuma música em "Purgation" atinge os 4 minutos de duração. Há quem se arrisque a dizer que desde o Carcass, com exceção do Napalm Death, a cena death britânica nunca mais esteve em pé de igualdade com as bandas norte-americanas, situação que estaria agora chegando ao fim com o surgimento do Trigger The Bloodshed. Não diria que isso seria um equívoco, mas tampouco é uma certeza. Trata-se, indubitavelmente, de um disco anormal (tendo em vista a alta qualidade do material que é executada por músicos ainda muito jovens), com o objetivo de saciar os anseios de quem gostaria de ouvir o verdadeiro death metal de "antigamente", porém feito nos dias atuais. Mas é necessário acalmar os ânimos e esperar que o tempo prove se estes britânicos irão ou não, corresponder às expectativas postas sobre os seus ombros.

Nota: 9/10
Selo: Rising
Data de lançamento: 31/03/2008
Website: www.myspace.com/triggerthebloodshed /
www.purevolume.com/triggerthebloodshed

Tracklist:
1. Inception
2. Merciless Ignorance
3. Laceration
4. Rebirth
5. The Defiled
6. Severed
7. Impregnable Miscreation
8. Hollow
9. Lovers
10. Mortuary Walls
11. Violent Elucidation
12. A Wretched Betrayal
13. Retribution
14. The Abortive Becoming
15. Domicile
16. Whited Sepulcher
17. A Perfect Casket

quarta-feira, março 05, 2008

Eternal Lord - Blessed Be This Nightmare

Chegamos a uma época onde o rock está à beira de uma estafa auto-reprodutiva, ou seja, próximo de um limite de sua capacidade de criar subgêneros originais. Com efeito, a enorme profusão de bandas de todos os estilos (dos mais recentes aos mais clássicos) exige - e muito - de qualquer uma delas que aspire ao reconhecimento internacional, um diferencial na sonoridade. E esse diferencial torna-se então consideravalmente dificultado, pois vejamos, o que destacaria uma banda dentro de um estilo qualquer, e que seja executado por infindáveis grupos mundo afora? Em primeiro lugar; a capacidade de criar o novo dentro do velho e manjado, e em segundo lugar; imprimir a digital da banda em sua sonoridade. Outros itens como destreza técnica, performance ao vivo e quão "chiclete" são as melodias, influem de certo modo na carreira, mas não tanto. Exposto isso, tratemos então do álbum. Os britânicos do Eternal Lord vêem-se de maneira exemplar, perdidos diante desse cenário pouco animador. Foi com o pé esquerdo, portanto, que este quinteto estreou com "Blessed Be This Nightmare". Formado em 2005, o grupo tem um histórico de aparente boa repercussão em suas turnês, realizados juntamente com alguns grandes nomes, a citar: All That Remains e Job For A Cowboy. Entretanto, ao conferir o material inaugural de mais um dos meros adeptos da onda de fusão de Death Metal e Hardcore, que o são, nada leva a crer que venham a alcançar um futuro promissor. O disco é insosso e monótono do começo ao fim. Monotonia essa quebrada somente nos trechos de calmaria ao final de "Set Your Anchor"; "All Time High" e em toda "Amity". Há uma igualdade gritante entre as músicas, o que gera a impressão de se estar ouvindo a mesma faixa cerca de 8, 9 vezes seguida. É realmente nocivo a uma banda estreante apresentar características dessa natureza. Talvez nem mesmo um futuro redirecionamento musical traga algum benefício. Uma coisa é certa: fiquem tranquilos e durmam bem, pois garanto-lhes que nenhum pesadelo vos atormentará após a audição (não-recomendável) desse disco. Aos "lordes" eternos? Com toda a certeza!

Nota: 5/10
Selo: Ferret, Golf
Data de lançamento: 17/03/2008
Website: www.myspace.com/eternallord

Tracklist:
1. Hot To Trot
2. Get to Fuck
3. Set Your Anchor
4. Wasps
5. All Time High
6. I, the Deceiver
7. The Damned
8. Amity
9. O'Brothel Where Art Thou
10. The Forty Five
11. Blessed Be This Nightmare

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

The Mars Volta - The Bedlam In Goliath

A criatividade humana representada nas expressões artísticas pode se apresentar de forma tão complexa, abstrata e expansiva, ao ponto de o seu entendimento ficar prejudicado. Tal fato é latente em "The Bedlam In Goliath". Não se deve pressupor, no entanto, que essa característica desse álbum ímpar venha surpreender a grande maioria dos fãs (ou mesmo curiosos) dessa banda que vem se superando a cada nova obra (importante que se frise o sentido literal da palavra), o The Mars Volta. É sempre interessante acompanhar a trajetória musical de um grupo e analisar suas mutações e evoluções musicais ao longo do tempo, e com o T.M.V. não haveria de ser diferente. Vai além inclusive - é uma experiência única. O embrião (Cedric e Omar Rodríguez) que deu origem a esse colosso, progredia lentamente ainda dentro do At the Drive-In, e era responsável pelas experimentações introduzidas dentro da sonoridade deste ícone do post-hardcore. A prolífica mente do vocalista e do guitarrista em questão, tornou as ambições da dupla "grandes" demais para o espaço a eles concedido. Eis que, enfim surge o The Mars Volta, e o terreno propício para se pôr em prática a avalanche de idéias que estes dois homens ocasionam está garantido. "De-Loused in the Comatorium" de 2003, estava ainda um tanto arraigado ao rock agitado outrora executado pela dupla (embora soe absolutamente distante de "Relationship of Command") e relativamente aos álbuns que se seguiriam, pouco experimental. Dois anos mais tarde, "Frances the Mute" mostrava um excesso de sons, ruídos e estranhesas do tipo, carregando um clima fúnebre em virtude da morte de um amigo e participante da banda. Já "Amputechture", um álbum desconceitual, portanto fato atípico do grupo, passou desapercebido. O lançamento de 2008, por sua vez, é uma espécie de apanhado geral do que foi criado e ao mesmo tempo, único. Nascido de um presente excêntrico, e diga-se de passagem amaldiçoado (provável causador de inúmeros incidentes, sem explicação, envolvendo integrantes da banda ) dado por Omar a Cedric, o álbum gira em torno de uma intrincada trama encabeçada por Goliath (a alma de um santo sedento por retornar ao mundo real que era evocada através do presente). A densidade conceitual, obviamente, evidencia-se nas composições. Mesmo que nesse disco uma única faixa seja por vezes três (músicas) em uma, os destaques ficaram por conta de "Aberinkula", "Goliath" e "Ouroboros". Outro ponto sobressalente no disco, é a participação do guitarrista John Frusciante (Red Hot Chili Peppers). Apesar de toda a sua magnitude e impecável originalidade, "The Bedlam In Goliath" peca no aspecto do entretenimento. A primeira metade do disco é fantástica, entretanto, a complexidade e a difícil absorção desse mundo lunático, torna os 76 minutos do disco quase imprazerosos de serem ouvidos ininterruptamente. É o típico álbum que acaba sendo consultado esporadicamente. Excelente todavia, mas com esse porém. Enquanto isso...alguém sabe do paradeiro do Sparta?

Nota: 8/10
Selo: Universal, Gold Standard Laboratories
Data de lançamento: 29/01/2008
Website: www.themarsvolta.com/ /
www.myspace.com/themarsvolta

Tracklist:
1. Aberinkula
2. Metatron
3. Ilyena
4. Wax Simulacra
5. Goliath
6. Tourniquet Man
7. Cavalettas
8. Agadez
9. Askepios
10. Ouroboros
11. Soothsayer
12. Conjugal Burns

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Cavalera Conspiracy - Inflikted

Há longínquos 12 anos atrás, ocorreu a fatídica (trágica para alguns) saída de Max Cavalera do ícone máximo do metal brasileiro, o Sepultura. Desde então, fãs da banda sonhavam com o dia em que os irmãos Cavalera voltariam a dividir o palco mundo afora. Contudo, após o anúncio da saída de Igor Cavalera do Sepultura em 2006, o sonho começou a se concretizar. Durante um certo período que se seguiu da decisão, Igor realizou algumas experiências musicais até finalmente abraçar a idéia de voltar a tocar com seu irmão. Enfim...juntos! O nome dessa tão sonhada reunião se chama: Cavalera Conspiracy. São também articuladores dessa conspiração o guitarrista Marc Rizzo (Soulfly e ex-ill Niño) e o francês Joe Duplantier (Gojira) no baixo. Já as participações especiais do disco ficaram por conta do baixista Rex Brown (ex-Pantera e atualmente no Down) e do enteado de Max e Igor - Richie Cavalera (Incite) nos vocais. A álbum foi produzido por Logan Mader (ex-guitarrista do Soulfly e Machine Head). É impossível não notar traços muito fortes do Soufly nas músicas de "Inflikted" (apenas observem a quantidade de citações, nesse texto, ao nome da banda), o que acaba por prejudicar o brilho do disco, a começar pela faixa inicial que é iniciada com um típico zumbido souflyano! Em algumas passagens, contudo, principalmente na excelente "Sanctuary", o ouvinte pode matar a saudade do death/thrash metal que os irmãos já fizeram nos idos de 80 e 90. A afirmação de Max em dizer que o registro é similar ao antigo Sepultura é, na minha opinião, um pouco fantasiosa. "Inflikted" é sem dúvida um bom álbum, mas é carregado do que chamam de groove metal, e portanto diametralmente distante de "Arise" ou "Chaos A.D.". O Cavalera Conspiracy saiu-se bem na sua estréia apesar de tudo, mas tem potencial para ir bem mais longe.

Nota: 8/10
Selo: Roadrunner
Data de lançamento: 25/03/2008
Website: www.cavaleraconspiracy.com/ /
www.myspace.com/cavaleraconspiracy

Tracklist:
1. Inflikted
2. Sanctuary
3. Terrorize
4. Dark Ark
5. Ultra-Violent
6. Hex
7. The Doom Of All Fires
8. Bloodbrawl
9. Nevertrust
10. Hearts of Darkness
11. Must Kill

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Raging Speedhorn - Before The Sea Was Built

Viver é o constante ofício de se deparar com o novo, o desconhecido. Portanto foi com naturalidade que encarei a incumbência de comentar "Before The Sea Was Built", a quarta bolachinha do até então inédito para mim Raging Speedhorn. Enquanto fazia as minhas pesquisas, fiquei surpreso ao saber que o RS não somente é uma banda com um certo tempo de estrada, mas como também é considerada uma das bandas de maior representatividade na cena britânica atual. Inclusive foi o próprio Raging Speedhorn que, em uma dada época, "salvou" esta mesma cena de um eminente colapso. Daí surge a pergunta: "Mas então como é que não os conheci antes?". A resposta me veio alguns minutos depois de iniciada a audição do disco. À certa altura, tive a impressão de que o álbum inteiro fora confeccionado através de uma única fórmula: guitarras com riffs metálicos alternados em graves e agudos; os dois vocalistas se revezando em berros por vezes sofridos, outrora raivosos; um som estridente dos pratos do batera Gordon Morison sendo atacados ininterruptamente; breakdowns constantes; a ambientação saindo do Hardcore e dando uma passadinha pelo Sludge; e por aí vai). Não que esta seja uma fórmula falida, é inclusive interessante, porém é ao mesmo tempo muito arriscada - uma vez que para funcionar, deve ser trabalhada minunciosamente ao ponto de não deixar esse volume todo de energia tornar-se repetitivo, e sobretudo, desimpactante. E cometer esse pecado é, na minha opinião, fazer cair por terra todo o esforço de composição das músicas. Creio que o objetivo central de qualquer tipo de sonoridade agressiva é causar um impacto (de preferência forte), investir contra a serenidade e os sentidos do ouvinte. Portanto, se a audição de um disco vai se tornando saturada e monótona, significa dizer que o trabalho de construção das músicas falhou em algum aspecto. A chegada dos dois novos membros ao grupo poderia ter sido melhor aproveitada neste registro. Mas...nem tudo são espinhos. Há sim algumas faixas interessantes como "Dignity Stripper" e "Too Drunk To Give A Fuck" e "Jump Ship". É provável que na hipótese de uma nova crise, o Raging Speedhorn não consiga repetir o ato heroico que certa vez realizou. Talvez agora não consiga sequer salvar a si mesmo.

Nota: 6/10
Selo: SPV Records
Data de lançamento: 10/09/2007
Website: http://www.ragingspeedhorn.co.uk/
www.myspace.com/ragingspeedhorn

Tracklist:
01. Everything Changes
02. Before The Sea Was Built
03. Dignity Stripper
04. Mishima
05. The Last Comet From Nothingness
06. Born To Twist The Knife
07. Who Will Guard The Guards
08. Too Drunk To Give A Fuck
09. Sound Of Waves
10. Jump Ship

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Thursday - Kill The House Lights

Guardada as devidas proporções, eis uma mistureba de At The Drive-In + Underoath: Thursday. "Kill the house lights", o quarto full-lengh desses veteranos do post-hardcore é uma espécie de retrospectiva da produção da banda. Tanto o é que o novo álbum do grupo vem acompanhado de um DVD, abrangendo esses 10 anos de existência da banda em forma de documentário, e em forma de performances ao longo da estrada. O título do registro é inspirado na letra de "M. Shepard" do álbum War All The Time, que trata do caso do estudante universitário Matthew Shepard, espancado até a morte, vítima de homofobia. O álbum é iniciado com "Ladies and Gentlemen: My Brother, the Failure", faixa que poe o ouvinte logo em contato com o vocal de Geoff Rickly. Para ouvidos virgens de Thursday (como os meus), o modo que Geoff canta pode soar um tanto quanto desafinado, mas isso não tira o brilho da música. Após o primeiro contato, esse mesmo cantor vai se transformando no elo de ligação entre você e o ambiente dramático, agoniado dessa faixa, muito em parte de seu tremendo alcance vocal. Mais adiante em "Signals Over the Air", esse sexteto mostra uma nova faceta, mais experimental. "Dead Songs" parece um pouco tumultuada de início, mas acaba ganhando pelo refrão simpático. Em suma, nada muito além do que se prevê desde o início do registro, o que no entanto não vem a desagradar. O fato de o disco conter algumas faixas ao vivo e outras em formato demo, é mais um item positivo adicionado no balanço geral.

Nota: 7/10
Selo: Victory Records
Data de lançamento: 30/10/2007
Website: www.purevolume.com/thursday
Tracklist:
01. Ladies and Gentlemen: My Brother, the Failure (with Tim Kasher)
02. Dead Songs
03. Voices on a String
04. Signals Over the Air (Live at the Starland Ballroom)
05. How Long Is the Night? (Original Introduction Mix) [Demo]
06. A Sketch for Time's Arrow
07. Panic on the Streets of Health Care City
08. The Roar of Far Off Black Jets
09. Paris in Flames (Demo)
10. Telegraph Avenue Kiss (Rich Costey Mix)
11. Wind-Up (Demo)
12. Music from Kill the House Lights (Demo)